| Aos Hebreus VIII |
O texto de Hebreus 12: 18-24 coloca o leitor diante de contrastes entre o Velho e Novo Pacto. Uma cena de fogo no Monte Sinai em contraste com a glória de Sião; no Sinai Moisés, o mediador da Lei estava tremendamente assustado; em Sião a festiva assembléia de anjos e remidos achegados a Jesus, o Mediador da Nova Aliança; no Sinai o terrível; mas em Sião o quadro da glória; no Sinai a idéia de um Deus distante; em Sião o Emanuel, o Deus conosco, porque o "Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do unigênito do Pai cheio de graça e de verdade" (Jo. 1:14). Nós os cristãos não estamos ligados ao monte de terror, ao monte Sinai, mas ao Monte Sião e à cidade eterna do Deus vivente - a nova Jerusalém celestial, onde a visão é panegírica, onde o terror e a insegurança são contrastados com a paz de uma assembléia alegre, onde a força das palavras está no louvor e não no terror insuportável. Diga-se de passagem que o termo igreja (ecclesia) é mais bem traduzido por assembléia, "reunião". Os que ali estão, são remidos aperfeiçoados, portanto, é uma visão da glória, no céu, onde Deus, o juiz de todos os homens, e os espíritos dos justos, aperfeiçoados e glorificados, e Cristo mesmo, o Mediador do novo pacto, que ofereceu o sacrifício de si mesmo, portanto, sacrifício perfeito, por isso que é muito superior àquele oferecido por Abel, no tempo dos patriarcas. O apóstolo Paulo na segunda epístola aos Coríntios diz que "todos temos de comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba, segundo o que tivermos feito, por meio do corpo, ou bem ou mal". (II Cor. 5: 10). O crente espera Deus como Juiz. Paulo dá exemplo desta convicção do cristão, quando afirma: "Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também os que amarem a sua vinda". (II Tim. 4: 8). O temor de Deus está no crente, mesmo sabendo que o Juiz que pode condenar traz em sua mão de misericórdia a coroa da glória. Paulo afirma que "Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação" ( II Timóteo 1:7). O escritor aos Hebreus é claro em dizer que Jesus Cristo é o autor do novo pacto, o que fez possível uma nova relação com Deus. Assim, desde que o temos conosco todos os dias até o fim dos séculos, pela operância do Espírito Santo que fez habitar em nós, não temos que viver à sombra de receios e tremores. Ele é nosso por aceitação pela fé, e nós somos dele por apropriação redentiva, visto que nos comprou por preço" (l Cor. 6: 20). Está eliminado o terror do Sinai, porque vivemos à luz da glória da nova relação com Deus. O perfeito sacerdote e o perfeito sacrifício nos abriram a porta para o trono da graça. O sangue de Abel derramado sobre a terra pedia vingança (Gen. 4:10); Jesus, porém, foi morto, e seu sangue não suscitou um clamor por vingança, antes abriu o caminho para a reconciliação do homem com Deus. A vida de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, e sua morte sacrifical tornaram possível vir o crente a ser amigo de Deus. Houve um tempo em que os homens estavam debaixo da Lei. Como o homem nunca cumpriu a Lei, "não há um justo, nem ainda um sequer", então estava morto em delitos e pecados. Vindo Jesus com o sacrifício vicário, isto é, em lugar do pecador, estabeleceu a graça. Foi assim, aberto um caminho até o Soberano Deus. "Cheguemos, pois com confiança ao trono da graça, donde nos vem o perdão, a justificação, a redenção, a santificação e a glorificação afinal. Pr. José Alves da Silva Bittencourt |