Panorama dos Evangelhos IX |
Vínhamos comentando sobre o caminho da cruz e ainda continuaremos nesta jornada com o discípulo Marcos. Agora, no entanto, dando ênfase à incompreensão do caminho da cruz. Os discípulos tinham dificuldade de compreender e aceitar o caminho da cruz em suas vidas. Jesus chamou a multidão com os seus discípulos, disse-lhes: "Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me" (Mc. 9: 34). A questão agora é saber de que maneira os crentes hoje assumem a mesma espécie de responsabilidade expressa na palavra de Jesus. A significação da transfiguração deve ser cuidadosamente cristã dentro do seu contexto. Especialmente, a transfiguração relatou a vinda do reino de Deus. Era o começo do preparo dos discípulos para a sua morte (8:31). A transfiguração mostrou o último triunfo do reino. Neste episódio Deus dá testemunho do seu Filho, dizendo: "Este é o meu Filho amado, em que teu tenho prazer; a ele ouvi". Esta voz foi ouvida durante três vezes nos momentos mais críticos do ministério terreno de Jesus. Esta voz se fez ouvir: (1) No seu batismo (Mc. 1: 11). (2) Em um dado momento em que Jesus orava (Jo. 12:28). E uma terceira vez na transfiguração. "Da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é. o meu filho amado; a ele ouvi". (Mc. 9:7). A importância da transfiguração é firmada pelo fato de ser o evento relatado por todos os escritores sinóticos. A presença de Moisés e Elias com Jesus mostrou o relacionamento de Jesus com a Lei e os Profetas do Velho Testamento. Marcos 9: 9 - 15 relata a conversa entre Jesus e os discípulos no caminho da descida do monte. Eles deviam manter segredo sobre o que testemunharam só tomando público o fato, depois da ressurreição (V. 29). A discussão dos discípulos sobre o ensino dos escribas, dizendo que Elias era necessário vir primeiro, conforme Mateus 4: 5,6, a leitura da declaração de Mateus identifica João Batista com o cumprimento de sua predição, e "os discípulos entenderam que ele falava a respeito de João Batista" (Mat. 17:13). Ao descer do monte, Jesus encontrou uma grande multidão em animada comoção (Vs. 14-16). Um pai, cujo filho estava possesso de um demônio, e apelava a Jesus por auxílio ( vs. 17-18). Os discípulos foram incapazes de fazê-lo. Jesus então expulsou o demônio que atormentava e agitava aquele jovem (Vs. 19-29). Jesus e seus discípulos caminhavam pela Galiléia, mas sem alarde porque não queria ser reconhecido, porque sua tarefa agora era ensinar seus discípulos que o Filho do Homem seria entregue nas mãos dos homens e seria morto, e ressuscitaria ao terceiro dia. Eles, entretanto, "não entenderam esta palavra" (Vs. 30-32). Chegaram em Cafarnaum. Sabendo o Mestre que eles estavam ansiosos por saber qual seria o maior no Reino de Deus, ele tomou uma criança nos braços, e disse-lhes: "Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos" (Vs. 33-37). Marcos registrou a intolerância dos discípulos, impedindo uma pessoa, que não era do grupo, de expulsar demônios em nome de Jesus com essas palavras: "Não lho proibais; porque quem não é contra nós é por nós" (38-41). Jesus alertou os discípulos contra alguém ser um escândalo para os que são insipientes na fé. Seria melhor perder a vida do que ser castigado na eterna punição no inferno (Vs. 43-48). "Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga". Cada um será testado e preservado - O crente será salgado com fogo, mas como o ouro no cadinho "se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo" (l Ped. 1:7) - Mc. 9:49-50. Deste modo entendemos que os crentes são vagarosos para aprender o caminho para suas vidas. Os discípulos foram muito lentos para pegar a significação do ensino de Jesus; custaram para aprender a natureza espiritual do reino, mesmo depois de ensinados. Deus usa meios para magnificar Jesus como Salvador dos homens. E a grandeza do padrão de Cristo é serviço humilde. O Mestre ensina duas grandes lições: (1) Seu reino era um reino espiritual. (2) Quem quiser ser grande no reino deve ser o último, e o servo de todos" (Mc. 9). |
Pr. José Alves da Silva Bittencourt |