CONSAGRAÇÃO - III

A leitura de Romanos 12: 1 conduz o leitor a concluir que o apóstolo apresenta o argumento para a consagração nesta frase: “Que é o vosso culto racional”. Se temos sido verdadeiramente redimidos, então é plenamente razoável que lhe demos nosso insignificante serviço.

A cristandade inteligente põe-se ao serviço de Cristo, alegre e sem reserva. Seu Senhor é soberano, Não é um absurdo prestar serviço a Deus. Nada é mais lógico e espiritual do que fazer isto. O Senhor da terra em que vivemos merece o reconhecimento da nossa parte da sua soberania. Consagrar tempo para glorificar a este que criou o universo, com tudo o que nele há é digno do nosso  louvor, glória e honra. Não há outra conclusão a que o homem deve chegar, especialmente por aqueles que crêem em Deus.

Não é difícil aceitar o fato de que não somos nossa própria causa. Deus é o nosso Criador; por seu grande amor ele nos criou, sustenta e dirige; ao universo com a perfeição das suas leis; ao homem por sua própria decisão de fé, e reconhecimento de que nada pode fazer de correto, bom e verdadeiro sem a vontade do Criador. Mais duro foi para o Pai enviar seu Filho unigênito para nos salvar do poder do pecado. Todos devemos ser gratos a Ele por este seu tão grande amor.

Foi duro para Abraão oferecer Isaque, consagrando-o ao sacrifício, a pedido do próprio Deus. Abraão dedicou seu filho por obediência a Deus. Abraão cria que Deus era poderoso para ressuscitá-lo. Ele cria no Deus da providência. Sem fé não se consagra nada a Deus. O texto sagrado diz mesmo que “sem fé é impossível agradar a Deus”.

Foi duro para José ter uma vida consagrada ao serviço de Deus. Do mesmo modo foi duro para Moisés deixar o conforto do palácio de Faraó, para dedicar sua vida ao serviço de Deus, na condução do seu povo na direção da conquista da terra prometida. Foi duro para Jó perder tudo e manter seu ser consagrado ao temor do Senhor. Havemos de convir também que  foi  duro  para  o  apóstolo  Paulo  testemunhar  em  Roma  e em Éfeso; contudo,  era  a  vontade  de  Deus. Sabemos que a vontade de Deus não se discute, e felizmente todas essas pessoas aqui citadas aceitaram de todo o coração fazer a vontade de Deus em suas vidas.

Fomos salvos para servir. Representamos Cristo na terra, pois somos embaixadores de Deus. Pela entrega ao serviço de expansão do reino de Cristo, muitos morreram. Poucos viverão por ele. Pensando bem, a consagração a Cristo, mesmo nos tempos modernos, deve ser demonstrada também na freqüência à igreja local, a entrega dos dízimos e nas orações intercessórias.

O culto que consagramos a Deus, apesar de ser através do corpo é espiritual. A adoração é uma expressão universal da natureza religiosa do homem. O argumento é que, consagração ao Deus verdadeiro é um culto inteligente, racional, espiritual que parte da nossa natureza regenerada pelo Espírito Santo. Deste modo nossa consagração vem do homem interior que se expressa por este instrumento que é o nosso corpo. Na realidade isto envolve paciência, esperança, obediência, oração, honestidade e fidelidade ao Senhor do nosso ser.

 
Pr. José Alves da Silva Bittencourt