| Aos Hebreus III |
No artigo anterior abordamos a idéia que o tratado aos Hebreus expõe, mostrando que o Cristianismo é superior ao Judaísmo, o que é lugar comum nos comentários. O livro também trata de demonstrar a superioridade do Sacerdócio de Cristo. A primeira atitude a tomar neste caso é proceder a leitura de Hebreus 4: 14 - 10:18.0 leitor verá que aí está o princípio do principal tema deste tratado. Começo de um melhor concerto, de melhor pacto. "Dizendo Novo Concerto, envelheceu o primeiro. Ora, o que foi tornado velho, e se envelheceu, perto está de acabar" (Heb. 8: 13). Um melhor pacto porque é baseado em melhores promessas que são escritas no coração, não em lâminas de pedra, como está escrito: "Este é o concerto que depois daqueles dias farei com a casa de Israel, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei: e eu lhes serei por Deus, e eles me serão por povo" (8:10). Começo de um melhor Tabernáculo, segundo o que se lê: "Vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um melhor e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação. Nem por sangue de bodes e bezerros, mas pelo seu próprio sangue entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção" (Heb. 9: 11 - 12). Cristo opera por nós no céu; seu ofício sacerdotal continua ali. O tabernáculo era deste mundo. O sumo sacerdote entrava no santo dos santos uma vez por ano, mas Cristo entrou no santuário celestial "uma vez por todas". A Redenção de Cristo não era anual, mas eterna redenção. Começo de um melhor sacrifício. "Ora, onde há remissão destes (pecados), não há mais oblação pelo pecado" (Heb. 10:18). Cristo mesmo é o sacrifício. Ele se ofereceu a si mesmo como um cordeiro imaculado, para nos purificar e garantir a eterna comunhão com o Pai. Os sacrifícios do Velho Testamento eram novilhas e bodes, que não tiravam pecado. Eram senão a sombra dos bens futuros. Este sacrifício era para ser oferecido uma única vez. O caminho para Deus estava fechado. No Velho Testamento esta aproximação da presença de Deus era devida ao Sumo Sacerdote, de ano em ano, entrava no Santo dos santos depois de oferecer sacrifício por si mesmo e depois pêlos pecados do povo. O Sumo Sacerdote era um mediador, usando de sacrifícios repetidos. Repetiam-se as hóstias de ano em ano. No Cristianismo, Cristo fez possível esta mediação (l Tim. 2: 5). Ele é o nosso Sumo Sacerdote, nosso representante perante o Pai. Ele entrou para o santuário celestial. Seu sangue foi derramado por nossos pecados, dando-nos eterna salvação. Assim está escrito: "Quase todas as coisas, segundo a Lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão" (9: 22). "Mas este, havendo oferecido um único sacrifício pêlos pecados, está assentado para sempre à destra de Deus" (10:12). Cristo só morreu uma vez. Ele morreu em nosso lugar; é por isso que podemos entrar com confiança ao trono da graça, donde recebemos misericórdia e achamos graça para auxílio no tempo da necessidade (Heb. 4: 14-16). Nosso Sumo Sacerdote assenta-se à direita de Deus e intercede por nós. (7: 25; 8:1; 10:12). Jesus Cristo entrou no céu, "para agora comparecer por nós perante a face de Deus"(9:24). Assim é que ousamos entrar na presença de Deus Pai por Jesus, por seus merecimentos, por este "novo e vivo caminho" (10: 19 - 20). Aproveitemo-nos desta gloriosa oportunidade e privilégio, para, em seu nome, elevarmos as nossas orações ao Pai, certos de que encontraremos o auxílio de que tanto necessitamos. Fazendo isto sempre com fé, e não duvidando, sabendo que "sem fé é impossível agradar a Deus". Pr. José Alves da Silva Bittencourt |