O último versículo do último capítulo do livro de Atos dos Apóstolos traz esta nota alviçararei do repórter: "Pregando o reino de Deus, e ensinando com toda a liberdade as coisas pertencentes, ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum" (o grifo é nosso).
É notável esta observação do escritor por ser muito importante e significativa, porque é quase como uma exceção, especialmente, naquele tempo, com relação ao avanço da mensagem cristã. Havia naqueles dias dois grandes e poderosos inimigos contra o evangelho do Senhor Jesus Cristo, a saber: a religião do Império Romano e o judaísmo; consequentemente, opostos aos pregadores do evangelho, no propósito de expandir o reino de Deus, nos domínios de César.
Soam muito bem estas palavras finais do livro de Atos dos Apóstolos: "Sem impedimento algum". Normalmente o serviço a Deus, a adoração ao verdadeiro Deus têm sido sempre atropelados, e, por incrível que pareça, até por aqueles que se denominam cristãos. Isto traz à memória a "Santa Inquisição". Milhões de pessoas foram queimadas depois de serem impiedosamente torturadas, em nome de Deus. Com isso Deus foi de algum modo impedido de ser adorado na beleza da sua santidade. Ainda hoje isso acontece por interesse político-religioso em várias partes do mundo.
Pensando bem, o título do artigo poderia ter sido O Impedimento à Adoração. A adoração é a mais elevada ocupação cristã, e é, portanto, contestada por Satanás:
1. Por obstinação - O exemplo é o de Nadabe e Abiú, descrito em Levítico 10: 1 - 11. Em conseqüência eles receberam o castigo de morte por tentarem oferecer fogo estranho. O fogo procederia do Senhor para consumir o holocausto, mas eles não fizeram diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo. (Lev. 10: 10).
2. Pelo mundanismo - O crente está no mundo, mas definitivamente não é do mundo, Jo. 17:11-15. Cristo torna-se o centro e abrangência da vida cristã. A adoração é abrangente, envolvendo a pessoa, mente e corpo concentrados no próprio Senhor.
3. Por espírito crítico - Há quem freqüenta a igreja em função de algum interesse que não o espiritual, e assim não exerce a legítima adoração a Deus. O verdadeiro culto vai além do pregador, do ambiente fraternal e físico da igreja e do enlevo produzido pelo cântico coral.
No culto encontram-se os pecadores salvos. Cada um com a sua fraqueza. Ali chegamos e, na oportunidade, lançamos sobre Ele toda a nossa ansiedade ao mesmo tempo que lhe expressamos nosso sentimento de amor e adoração pelo auxílio recebido.
Não repare no criticável, mas de preferência, repare em alguma coisa recomendável e elogiável. Paulo é explícito nesta observação: "Se porém vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros" (Gal. 5:15)
O mesmo apóstolo disse aos coríntios: "Não vos louvo" porque "ouço que quando ajuntais na igreja, há entre vós dissensões" (l Cor. 11:18).
É bom ter em mente que a adoração verdadeira reflete o "fruto do Espírito que é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé mansidão, temperança" (Gal. 5: 22). Nesse espírito tencionamos voltar ao assunto, sabendo que se a adoração é exercitável, nenhum propósito lhe é mais adequado do que a excelência.
Pr. José Alves da Silva Bittencourt |