A ORAÇÃO - II

Onde orar poderia ser uma preocupação de alguns. Neste sentido a questão é simples e a resposta também. Como a oração é um falar com Deus, e o Criador dos céus e da terra é onipresente, podemos orar em qualquer lugar. Aprendemos isto pela palavra do apóstolo Paulo a Timóteo que é assim: "Quero pois que os homens orem em todo o lugar" (I Tim.2:8a) O próprio Mestre Divino manda orar deste modo: "Quando orares, entra no teu aposento, e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em oculto; e o teu Pai, que vê secretamente te recompensará" (Mat. 6: 6).

O ensino sobre a oração em qualquer lugar indica que dependemos do Senhor onde quer que estejamos. O orar a sós com Deus em lugar secreto, evita a desconcentração e a demonstração hipócrita que os escribas e fariseus tanto apreciavam.

No templo é lugar adequado para orar; é santificado para a adoração, o louvor, as ações de graças; então a narrativa de Lucas sobre a parábola do fariseu e do publicano indica o templo como lugar de oração, dizendo: "Dois homens subiram ao templo a orar; um fariseu, e o outro publicano" (Luc. 18: 10).

O Salmo 26: 12, conforme o título da tradução que tenho mostra que "Davi recorre a Deus, confiando na sua própria integridade". Na segunda parte do verso 12 ele diz: "Nas congregações louvarei ao Senhor".

Em lugar secreto é próprio para a oração em particular com Deus. Em pequenos grupos, a oração em família é o ideal. A oração pública é feita perante a congregação. É oportuno lembrar que a oração pública deve ser feita em voz alta, para que toda a congregação possa ouvi-la; não só receba instrução, mas também tenha plena liberdade de dizer o "amém" com convicção. Foi o que fez Jesus diante do túmulo de Lázaro. (Jo. 11: 41).

Se for útil a questão sobre o lugar da oração, não menos proveitosa é esta  outra  indagação  relativa  ao  tempo - quando  orar.  Então  a  primeira resposta deve ser: “sempre”. O capítulo dezoito de Lucas diz: "Contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer" (Luc. 18: 1). E Paulo aos tessalonicenses exorta: "Orai sem cessar". Temos o dever de orar constantemente. Nisto há alegria, o prazer e a necessidade constante do auxílio Divino. Deste modo devemos dedicar momentos de oração pela manhã: "Pela manhã ouvirás a minha voz, ó Senhor, pela manhã me apresentarei a Ti, e vigiarei" (Sl. 5: 3). O salmista se mostra sempre atento para o privilégio da oração, dizendo: "De tarde e de manhã e ao meio dia orarei, e clamarei; e ele ouvirá minha voz" (Sl. 55: 17). No Salmo 119: 164 está escrito "Sete vezes ao dia te louvo pelos juízos da tua justiça". E Daniel orava três vezes ao dia: "E três vezes ao dia se punha de joelhos e orava,  e dava graças diante do seu Deus" (Dan. 6: 10). O "sem cessar" envolve a idéia de diariamente, como no Salmo oitenta e seis: "Tem misericórdia de mim, ó Senhor, pois a ti clamo todo dia". É própria a oração dia e noite: "Senhor Deus da minha  salvação, diante de ti tenho clamado de dia e de noite" (Sal. 88: 1).

O apóstolo destaca com prazer o espírito da constante oração porque constante é a nossa dependência do Senhor. A oração devia permear todo o nosso trabalho. O coração pode elevar-se ao trono da graça em oração íntima, enquanto as mãos estão ocupadas com os deveres da vida.

 
Pr. José Alves da Silva Bittencourt