SEPARAÇÃO I |
Separação é ação que se opõe ao regime de comunhão. A separação pode ser de bens e de pessoas; diz-se duma sociedade ou no caso do matrimônio, o que se faz juridicamente, segundo normas preestabelecidas em código. No campo da religião, trata-se da discórdia do crente em Jesus Cristo em contraposição ao mundo alienado de Deus. Nesse caso a separação envolve também à vontade movida pela fé. A regeneração operada pelo Espírito Santo no que passa a crer, cria no novo ser a necessidade, a disposição e o poder individual para desfazer a comunhão que havia entre a pessoa incrédula e o mundo. Isto é uma consequência normal na existência da nova criatura. O renascido pelo poder do Espírito Santo experimenta uma mudança radical em seu ser. Assim, muda a mente, muda o gosto, portanto a vontade, a determinação, criando expectativas de melhor servir ao Seu Soberano Senhor bem e fielmente. O certo é que o amor ao mundo é incompatível com o amor a Deus, conforme a admoestação do apóstolo João em sua primeira epístola: "Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele". Separação aí é idéia dura, contudo os crentes precisam enfrentá-la diariamente. Alguns extremistas tentam obedecê-la e sair para uma reclusão e vida em mosteiros, coisa que já está fora de moda. É de grande importância a significação da palavra "mundo" nas Escrituras. Recorramos para isso ao texto mais bem conhecido dos crentes que é Jo. 3: 16: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho amado, para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna". Então, aqui, a palavra "mundo" refere-se ao povo - os pecadores que habitam o mundo. Jesus amou o mundo de pecadores, e nós cristãos, similarmente, devemos amar os pecadores. O apóstolo João explica a significação da palavra "mundo" em l Jo. 2: 16, nestes termos: "Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo". Depois de dizer: "Não ameis o mundo", tendo escrito o verso 16 de capítulo 2, o apóstolo deixa claro que "mundo" citado por ele, quer dizer, "os desejos da carne" e os desejos dos olhos e o orgulho ou a soberba da vida. A palavra "mundo" significa este presente sistema que é controlado por Satanás. Não há qualquer alusão para que devamos deixar as bênçãos materiais desta vida. Essas bênçãos Deus dá liberal e ricamente para alegria e contentamento nosso. Paulo escreve a Timóteo: "Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas, para delas gozarmos" (l Tim. 6:17). O Senhor rogou ao Pai para que nos não tirasse do mundo, mas para que nos livrasse do mal. (Jo. 17: 18). O mal de nos misturar com o mundo; o mal de nos entusiasmar com o mundo; o mal de encontrarmos prazer e satisfação nos prazeres mundanos. Ainda que estejamos juntos no mesmo ambiente, a separação do mundo é que nos caracteriza como não sendo do mundo. A preservação do crente não está na mistura com o mundo, mas com a separação dele. Do apóstolo João temos este ensino: "O mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre" (l Jo. 2: 17). A separação dos pensamentos e práticas mundanos nos move para a mais íntima comunhão com Deus. E não é demais repetir que o amor ao mundo é incompatível com o amor a Deus. |
Pr. José Alves da Silva Bittencourt |