Panorama dos Evangelhos
-MARCOS- (V)

Estamos dando início à apreciação do Evangelho de Marcos, tendo em vista facetas do ministério de Jesus. Isto está dentro dos limites da leitura dos capítulos 3: 7 a 7: 23. É importante notar, entretanto, que toda a divisão encetada vai somente até ao capítulo 4:34. Neste trabalho voltamos nossa atenção especial para a escolha e treinamento dos doze.

O ponto central de toda a sua narrativa agora é a seleção e treinamento dos doze apóstolos que se tornaram no núcleo do desenvolvimento do seu trabalho.
Esta parte do estudo do Evangelho de Marcos começa com a retirada de Jesus e seus discípulos do outro lado do mar (3:7). Como sua popularidade crescia, também a oposição das autoridades religiosas. Os Fariseus odiavam a Cristo em extremo o que os levou a se achegarem aos Herodianos, procurando destruir o Mestre (v. 6).

Grande multidão seguia Jesus. Marcos a descreveu. Não era hostil, mas eram pessoas marcadas por sua intensa necessidade. Ele mesmo ordenou que seus discípulos tivessem sempre pronto um barquinho, para que não fosse oprimido pela multidão a que ele servia, curando a muitos, enquanto outros o procuravam movidos pelo grande desejo de lhe tocarem. (9-10).

Espíritos imundos reconheciam Jesus e se dirigiam a ele como Filho de Deus (v. 11). Jesus, no entanto, não se agradou deste testemunho, porque, sabendo disto, as autoridades poderiam precipitar a perseguição contra o Mestre.

A narrativa de Marcos sobre a vocação dos doze discípulos, inclui uma lista deles. (13 - 19). Os amigos de Jesus procuravam protegê-lo da pressão da multidão ansiosa ( 6: 20 -21). Os escribas, vindos de Jerusalém acusavam Jesus de estar ligado com Satanás dizendo: "Tem Belzebu, e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios"(V. 22).

Jesus mostrou que a ideia de Satanás expulsar Satanás era absurda. Se assim fosse, seu reino estaria dividido, não poderia subsistir, pois um reino dividido entre si causa sua própria destruição. Essa discussão ainda era resultado de Jesus ter provado que podia perdoar pecado. Os escribas blasfemavam do Espírito Santo, e, portanto, era sem perdão sua indiferença. O Espírito revelou a Maria que o ser que nela estava gerado seria chamado "Filho de Deus" (Luc. 2:35). Em Marcos 3: 28 - 29. Negar este fato é blasfemar contra o testemunho do Espírito.

Ao ouvir Jesus que sua mãe e irmãos o procuravam (vv. 31-32) insinuando assim que ele não era Divino, reagiu declarando: "Qualquer que fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe" (v. 35).

Ainda que Marcos desse maior ênfase às ações de Jesus do que seus ensinos, grande parte do capítulo 4 está ocupada com eles através das parábolas.

Recordou a parábola do Semeador, 4:1-20, explicando sua significação aos discípulos, nos versos 14-20. Nos vs. 9-12 Jesus deu sua razão para o ensino em parábolas.

Os quatro diferentes tipos de solo, representavam diferentes tipos de ouvintes, explicou Jesus. (vs. 15-20).

Depois apresentou a parábola da candeia e a posição em que deve estar colocada a luz que é para iluminar a todos da casa. Ensinou sobre a medida com que devemos medir os outros (4.21-24). Seguiu a explanação do Senhor sobre o crescimento inexplicável da semente. Conclui o capítulo com a parábola da semente da mostarda (vs. 30-34).

Refletindo sobre tudo o que Marcos nos contou nesta parte do seu evangelho, deduzimos que Jesus expande sua missão através dos seus seguidores; por isto o Senhor orou uma noite inteira antes de fazer a seleção dos seus discípulos (Luc. 6:12-13). Ainda é bom considerar que somos todos da família de Jesus. Ele é o Mestre dos Mestres, demonstrando isto pelo método de ensinar por parábola, o que facilitava a maior compreensão da sua doutrina.

Algumas pessoas corresponderão a um testemunho cristão fiel. Nosso trabalho é ser fiéis na semeadura da Palavra, Deus dará o crescimento e os frutos.

Pr. José Alves da Silva Bittencourt