A SALVAÇÃO UMA SANTIFICAÇÃO III

Já temos visto a significação e a importância da santificação, agora é oportuno pensarmos sobre o seu autor, que é a Trindade.

O apóstolo Paulo escreve assim aos Tessalonicenses, na primeira epístola: “O mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente  conservados irrepreensíveis para a vinda do nosso Senhor Jesus Cristo" (I Tess. 5:23) É o Deus de paz, o Deus da reconciliação, que opera com sua graça santificante de modo completo  Όλοτελής. Este termo não é encontrado em qualquer outra parte do Novo Testamento. Com ele Paulo expressa a idéia de um completo trabalho da graça que é reiterado na sentença seguinte com o emprego da palavra Όλόκληρός = inteiro, denotando sua extensão. Era este tipo de santificação que desejava Paulo para seus irmãos. Uma santificação perfeita em seu grau de extensão, abrangendo todas as partes da  natureza humana.    

O espírito e alma são designações das partes imateriais do homem. O espírito diz da mais elevada atividade, moral e vital. Neste sentido a alma representa a força vital, especialmente referente às faculdades da percepção e sentimento. Espírito e alma, tanto no Antigo como no Novo Testamento são sinônimos. O corpo sem o espírito está morto. E foi o que aconteceu com a menina que Cristo ressuscitou: “O seu espírito voltou, e ela logo se levantou” (Luc. 8:55). Para efeito didático a totalidade do homem está aqui apresentada em três partes ou campos distintos. Com isto não queremos dizer   que  estivesse   ensinando  psicologia,   ou  no  mínimo,   que   fosse tecnicamente preciso na sua linguagem. A  linguagem filosófica do seu  tempo  reconhecia  o  espírito  (pneuma)  e  a  alma  (ψυχή) como essências distintas. Não temos interesse neste campo,  porque  o  nosso  interesse  mesmo  é  mais  bíblico  e  teológico.  E  neste sentido fica claro que o Deus santo quer que todo o ser humano  em sua inteira essência seja preservada “irrepreensível” para a glorificação.

Se uma parte do homem é o corpo, este não deve ser instrumento de impureza, tal como o adultério, as paixões vis, as maldades; instrumento de vícios degradantes, incluindo o fumo, as bebidas alcoólicas e as drogas em geral.

Quanto ao Filho de Deus e a santificação, Paulo escreve: “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a” (Ef. 5:25, 26). A salvação de Cristo inclui a purificação do seu povo; o apóstolo João em sua primeira epístola escreve: “O sangue do Senhor Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado”. (I Jo. 1:7). Sem esta purificação não poderíamos manter comunhão com Deus. Jesus preserva o seu povo santo e irrepreensível, porque também sua salvação é eterna.

Por último, pensando na Trindade como autora da santificação e já que mencionamos o Pai e o Filho neste interesse, o apóstolo Paulo escreve: “Devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade” (II Tess. 2: 13).

A santidade não é só uma atividade a ser executada, mas, antes de tudo, um dom de Deus para ser aceito. Assim sendo, o constante exercício deste dom fará crescer a nossa santificação, e quanto mais separado do mal, mais junto do Senhor. Isto faz a diferença.

 
Pr. José Alves da Silva Bittencourt