COMUNHÃO CRISTÃ V

Nunca devemos perder de vista a idéia de comunhão como sentimento de unidade, a qual tem lugar na mente e coração cristãos, de tal modo que lhes ensina a se sentirem um só corpo em Cristo. E o são de fato, considerando as profundas operações operadas em cada genuíno crente, sem acepção de espécie alguma. É comum a todos a fé em Cristo como Salvador pessoal, Senhor e Mestre; é comum a todos a operação regeneradora do Espírito Santo; é comum a todos a constante intercessão de Jesus Cristo: "Há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem" (l Timóteo 2: 5).

A comunhão assim entendida tem como vínculo o amor. Com base nesse sentimento é certo e justo afirmar que esta espécie de comunhão - a cristã - desconhece discriminações sociais, culturais e raciais. Somos um em Cristo é como o apóstolo Paulo designa comunhão cristã. É claro que estamos tratando de verdadeiros remidos por Cristo. Então, não é difícil de entender porque devemos chorar com os que choram e alegramo-nos com os que se alegram. A constância e durabilidade desse santo ideal manda que perdure a prática do exercício deste princípio: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". E o mais notável é que não basta amar o próximo como a nós mesmos; devemos amá-lo como Jesus nos amou.

Depois dessas considerações é importante e significativo saber como ter a comunhão cristã, porque isto não acontece por acaso, indiferentemente do interesse dos envolvidos na realidade de sermos um em Cristo. Nosso ideal é a perfeição e excelência, por isto que somos exortados a crescer na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. (II Pedro 3:18).

De modo ordinário a comunhão é conseguida e alimentada nas reuniões, no templo, para a adoração, podemos exercer comunhão nas reuniões de oração, nos cultos ao ar livre. Os estudantes nos colégios podem ter comunhão em grupos de oração e estudo da Bíblia, ou simplesmente para fazer a sua leitura. Os crentes podem ampliar e aprofundar a comunhão em grupos de oração e estudo da Bíblia nos lares. Sabemos ter a mais doce comunhão, quando "dois ou três" se reúnem em nome de Jesus, porque ele prometeu estar presente. (Mateus 18: 20).

Há expressões e manifestações de doce comunhão na alegria e conversa do encontro de crentes nas viagens de ônibus, de trem, de avião, de navio, em confraternizações várias. Há pouco, fomos buscar o nosso conferencista no aeroporto, depois do almoço num restaurante à margem do caminho ele declarou que esta comunhão do crente é um ponto alto na vida cristã. Pessoas que nunca se viram, logo, logo, se entrosam e se relacionam como se fossem antigos conhecidos.

Jesus, no caminho de Emaús, construiu excelente comunhão com dois de seus discípulos. E eles disseram um para o outro: "Por ventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras?" (Lucas 24: 32). Jesus se aproximou deles e seus corações foram estranhamente aquecidos; isto é uma comunhão espiritual. "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações". (Atos 2: 42).

A igreja primitiva prosperava na comunhão; eles a consideravam absolutamente essencial. A comunhão não é uma coisa passiva; ela não se dá pela simples freqüência a uma reunião; comunhão se faz quando contribuímos de alguma maneira para a reunião; na comunhão, você é um dos lados da mesma moeda, é o equilíbrio de "ação e reação". Levamos as cargas uns dos outros, suportamos uns aos outros. E lembre-se, comunhão é plural: o "eu" se transforma em "nós". Entendeu?

 

Pr. José Alves da Silva Bittencourt