O JEJUM E BÍBLICO? III |
(último) |
A passagem de Mateus 17.21 contendo a expressão "oração e jejum" não está nos escritos mais aceitos e a escritura de Marcos 9.29 a palavra jejum também não é parte dos melhores textos originais. A aplicação da palavra jejum seria bem oportuna em l Cor. 7.5, mas aí não aprece, e a leitura é esta: "Para vos aplicardes à oração" e não oração e jejum, quando poderia ocorrer uma intromissão de Satanás pela abstinência sexual do casal. Jesus é bem claro ao expressar um ponto de vista significativamente novo, quando diz: "Podem, porventura jejuar os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles?" "Enquanto têm consigo o esposo, não podem jejuar" (Marc. 2.19). Cristianismo não é remendo de pano novo no pano velho do Judaísmo, para se dar uma boa interpretação de Marc. 2.21-22. O Cristianismo não se rege pela Lei, mas é obra da graça de Deus em Cristo Jesus. Não estamos órfãos (Jo. 14.18). A promessa da presença de Jesus conosco é irrefutável: "Eis que eu estou convosco, todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mat. 28.20). Sem dúvida que, na operância do Espírito, Jesus está em nós. O Espírito intercede por nós (Rom. 8.26). O mesmo Espírito convence o nosso espírito de que somos filhos de Deus, e consequentemente, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo Jesus. (Rom. 8.16,17). Deste modo, não temos motivos para julgar que estamos desolados, ansiosos, pois o nosso Senhor e Salvador está conosco e em nós, por isso mesmo a Bíblia exorta: "Alegrai-vos sempre" (l Tess. 5.16). E mais: "Perto está o Senhor" (Filip. 4.5). jejum não tem poder em si mesmo. Se sua prática busca um poder sacrificial e meritório, então não deve ser uma prática legitimamente cristã, pois nada recebemos por merecimento próprio e sim por misericórdia. Não é de bom alvitre nos esquecermos de que estamos vivendo no tempo da graça. Na aflição e no sofrimento Paulo diz: "Orei três vezes ao Senhor para que "o mensageiro de Satanás se desviasse de mim" (II Cor. 12.8). É oportuno lembrar que Paulo não incluiu a palavra jejum na oração que por três vezes dirigiu ao Senhor. A bendita resposta do Senhor foi esta ao seu fiel servo: "A minha graça de basta" (II Cor. 12.9). O jejum não conta se priorizarmos a fé. O que agrada a Deus é a fé: "Sem fé é impossível agradar a Deus". Como podemos ver, o jejum está na Bíblia, mas não deve ser prática dos fiéis, pois na graça devemos estar firmados e não em qualquer atitude de méritos humanos. |
(texto original de 25/04/1997) |
Pr. José Alves da Silva Bittencourt |