Panorama dos Evangelhos II

O Evangelho de João

O quarto evangelho foi preparado pelo discípulo a quem Jesus amava. João era judeu. Seu conhecimento das opiniões sobre o Messias, e seu conhecimento dos costumes como a purificação são evidências de que o escritor era da mesma cultura religiosa dos judeus. Ele se mostra uma testemunha ocular daquilo que ele relata. Ele trata com naturalidade como a exatidão do tempo, a hora em que um determinado fato ocorreu. Sua capacidade de observação é admirável. Assim João fala do número de pessoas presentes, como a divisão das suas vestimentas em quatro partes. Suas narrativas são vivas e dificilmente podiam ser assim descritas se não por quem as tivesse visto.

João era apóstolo, o que fica demonstrado pelo conhecimento que tinha do pensamento dos discípulos (2: 11, 17). Ele mostra saber mais intimamente as palavras dos discípulos a Jesus e entre eles (4: 31, 33). Ele conhecia o lugar onde os discípulos frequentavam com Jesus (11: 54). Admirável em seus conhecimentos dos motivos do Senhor (2: 24 , 25) e notável é seu conhecimento dos sentimentos de Cristo (11: 33).

João era filho de Zebedeu (Mc. 1: 19, 20). Certamente, foi um dos dois discípulos de João que seguiram a Jesus (1: 40). João veio a ser um dos mais proeminentes dos apóstolos; foi honrado diversas vezes (Mt. 17: 1-3). Tornou-se proeminente no trabalho da Igreja, depois da ascenção de Cristo, bem como em todo o trabalho antes da sua morte.

Além do Evangelho que tem seu nome em nossas versões, ele escreveu três epistolas e a Revelação. Sobreviveu a todos os apóstolos, e morreu na ilha de Patmos onde estava exilado pelo imperador Domiciano, no fim da última década do primeiro século, por volta do ano 100 A.D. Mas o evangelho foi escrito entre os anos 85 e 96 A.D.

Quando se pesquisa sobre este belo escrito é fácil conservar a melhor impressão do seu estilo e plano. Mesmo no original grego, a leitura é agradável e simples.

Houve um tempo em   que o cristianismo estava sofrendo grande perseguição, pêlos poderes do Império Romano e pêlos judeus. Era o grande indicativo do triunfo do Cristianismo em muitas terras. Todos os livros do Novo Testamento estavam escritos com exceção do Apocalipse. O avanço do gnosticismo negava a divindade de Jesus. O evangelho não era uma mera polémica contra falsos ensinos; contudo estabeleceu a verdadeira pregação, que suplantou completamente o falso ensino. João escreveu sobre a Eterna Palavra Encarnada. "O Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória" (1: 14). Nestas circunstâncias João declara: "Estes, porém, foram escritos para que creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo tenhais vida em seu nome" (20: 31).
Como não podia ser diferente, o apóstolo se distingue no estilo e no plano. Ele tem linguagem e plano. Profundo e simples com marcantes elementos de estilo:

1 - Simplicidade - Isto no campo da gramática com sentenças curtas ligadas por conjunções. Poucas citações diretas. As poucas sentenças dependentes e a maior parte mostrando uma sequência de coisas, quer como causa, quer como propósito.

2 - Identidade - Cada passo da narrativa tratado como separado do resto ao contrário, mas, unindo-o por inteiro.

3 - Repetição - Quer seja em narrativa própria quer seja em citações de palavras do Senhor, é muito frequente por exemplo: "No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus" (1:1). Este outro exemplo: "Se eu testemunho de mim mesmo, meu testemunho não é verdadeiro. Há outro que dá testemunho de mim; e eu sei que o testemunho que Ele testificou de mim é verdadeiro". Há tantos outros exemplos.

4 - Paralelismo - Trata-se de declaração expressando a mesma verdade de maneira similar, como neste exemplo: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou".

5 - Contrastes - O método de contrastes é separar as coisas que se opõem: Luz e trevas; verdadeiro e falso; bem e mal; vida e morte; Deus e Satanás; Em todos estes recursos ele convencia os leitores que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus.

Pr. José Alves da Silva Bittencourt