A GRAÇA DE DAR IV

Ninguém deve servir com o intuito de obter recompensa, contudo sabemos que não há ação sem reação. Jesus chamou discípulos e os enviou com as instruções necessárias ao desempenho de suas tarefas. Entre as coisas que lhes ordenou destacamos esta orientação: "De graça recebestes, de graça dai". (Mat. 10: 8).

Ele fala sobre o livre uso do poder de dar livremente. Sendo salvo pela graça, devemos estar prontos a levar a salvação e auxílio a outrem, sem esperar algo em troca, a não ser a recompensa da alegria de ver a glória de Deus na vida do que de bom grado recebe o evangelho da graça de Deus. Isaías convida o leitor a experimentar plena satisfação espiritual "sem dinheiro e sem preço" (Is. 55: 1).

Paulo com dificuldade foi persuadido a receber dádiva e nunca recebeu pagamento. Elias não indicou o meio de Naamam ser curado da lepra por interesse de prata ou ouro. Jesus resolutamente recusou associar seus atos de graça e poder com o monetário. Isto fez sem desmerecer o justo sustento de cada obreiro, pois a Escritura diz: "Não ligarás a boca do boi que debulha. "E digno é o obreiro do seu salário" (l Tim. 5: 18). O ponto é este: que um homem consciente de algum dom para a edificação recebido pela soberana graça, ache verdadeira alegria em usar dele liberalmente, "não procurando recompensa".

Nada fazemos de extraordinário ao dar de graça o que de graça recebemos.

1. Porque os dons que temos não são nossos; nada pagamos por eles, e nem os criamos; o certo é que não temos de nos gabar, porque "o que tens tu que não tenhas recebido?"

2. Porque nossos dons não nos custaram coisa alguma. Refiro-me aos dons espirituais. Deus distribui por sua soberana vontade e graça. Um talento, dois, ou dez, conforme lhe apraz. Nenhum homem pode comprar um dom espiritual. Isto Simão Magno aprendeu persevera repreensão.

3. Porque nossos dons precisam ser usados para o que for útil para o serviço a Deus e a Seu Filho. Ilustra bem isto a generosidade dos Filipenses como igreja, enviando ao apóstolo Paulo auxílio como prova do seu amor pelo apóstolo. Isto significa que a graça de dar tem suas recompensas, posto que tal agrado não constitua um propósito egoísta. Esta generosidade o fez alegre e isto para o proveito dos Filipenses. É como quem leva a flor e retém nas mãos o perfume. O que os Filipenses fizeram a Paulo era como "um sacrifício de cheiro suave a Deus, sacrifício a Deus".

          Entendemos, então, que não é contradição pensar na recompensa da graça de dar. Nossos dons ainda que pequenos, certamente alegram o coração do Pai Celestial. As bênçãos seguem generosas da parte do Senhor. O Pai nos dá o retorno. O tratado aos Hebreus registra este ensino inspirado: Deus não é injusto para se esquecer da nossa obra, e do trabalho do amor que para com o seu nome mostrastes, enquanto servistes aos santos; e ainda servis". (Heb. 6:10).

Ainda falando em recompensa, recordamos as palavras de Jesus: "Melhor coisa é dar do que receber" (At. 20: 35). E agora em termos de mandamento: "Ajuntai tesouros no céu" (Mat. 6:20). Já no Antigo Testamento a ideia de recompensa estava explícita neste texto de Malaquias: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro... e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos... derramarei sobre vós uma bênção tal que dela vos advenha maior abastança"(Mal. 3:10). Esta é a solene promessa de Deus.

Devemos exercitar a graça de dar aos pobres e necessitados, aos órfãos e às viúvas. (Tiago 1:27; Mat. 5:42). Dar para o sustento do programa de adoração da igreja local. Dar para o progresso do evangelho e extensão do Reino de Deus.

Quem valoriza a graça de dar renega imitar as duas filhas da sanguessuga, que por egoístas e insaciáveis se chamam Dá, Dá. (Prov.30:15)

Pr. José Alves da Silva Bittencourt