Paternidade: um privilégio que exige responsabilidade |
Falar de paternidade responsável é muito mais fácil do que vivê-la. Se por um lado, ser pai é um privilégio divino, visto que os filhos são herança do Senhor (Sal.127), exercer a paternidade de modo responsável é uma tarefa que requer disciplina, determinação e dependência de Deus. Gerar filhos é fácil (embora alguns possam ter dificuldades biológicas), difícil é criá-los de modo a permitir que eles cresçam saudáveis e venham a contribuir para um mundo melhor. Creio que todos os pais têm consciência desse falo. Creio também que todos os pais desejam ver seus filhos seguirem além de si mesmos. Contudo, desejos assim, não ocorrem sem o trabalho educacional, cuja participação paterna é imprescindível. Cada filho é um bem cm si mesmo, por mais dificuldades que sua vinda acarrete. Está situado no ponto de encontro do amor entre o pai e a mãe. Vem confirmar o amor, fortalecê-lo, aprofundá-lo. Cada filho exige do pai um aprimoramento no exercício de se doai" pelo bem de outrem, apela a seu interior, à razão e à sensibilidade; clama por identificar neles a grandeza natural a que todo homem procura se ordenar, a imagem onde espelhar-se... E quando tal expectativa é frustrada, frustra-se também boa parte de suas mais nobres aspirações. Dito isso, apresento-lhes alguns exemplos de paternidade sem compromisso, para depois, apontar algumas atitudes para o exercício da paternidade responsável. Acompanhamento Escolar - Um pai vai à escola questionar por que seu filho tirou notas baixas. Com essa atitude ele está transferindo a responsabilidade para a escola pelo "fracasso" do filho e impedindo que o mesmo se responsabilize por suas conquistas ou derrotas. Está passando a mensagem de que, se alguma coisa não der certo, ele estará por perto para dar um "jeitinho", agindo como advogado em sua defesa. Outro exemplo é o de Eli, sacerdote do Senhor. Seus filhos agiam de forma ímpia, não respeitando o Senhor c a sacralidade da missão sacerdotal (I Sam. 2.12-17). Eli via os pecados de seus filhos e sua ação ficava somente no discurso, quando a situação exigia disposição para tirá-los da condução dos serviços religiosos. A paternidade responsável é missão grandiosa que não comporta demissão. Ser pai é estar atento todos os dias do ano, todos os dias da existência e agir no tempo certo e na medida certa. Na Bíblia, encontramos algumas orientações que nos ajudam no exercício da paternidade responsável. Desta forma, precisamos como pais, desenvolver as seguintes atitudes: a piedade - temer a Deus e andar em seus caminhos (Sal 127 e 128); ser discipulador mais do que professor (Deut. 6.6-9; Prov. 1.8); ser sacerdote do lar - o homem que faz o culto diário (Jó 1.5); ser um amparo - amigo para todas as horas (Sal. 27.10); ser cheio de compaixão pêlos filhos - que se coloca no lugar dos filhos (Sal. 106.13); ser disciplinador, como prova de amor, e não de raiva (Prov. 3.12; 4.1; 6.20); ser guia no caminho reto (Jer. 31.9); ser um exemplo e influência permanente para os filhos (Jer. 35.5-19); Buscar sempre a ajuda de Cristo, só Ele pode realmente socorrer (Marc. 9.21-24); Ser intermediário - preparar o filho para deixar a casa de modo maduro (Marc 10.7); O pai de família deve ser um vigia de seu lar (Luc. 12.35-40); deve ajudar os filhos a ter mais lealdade a Cristo (Luc. 14.26); deve cultivar nos filhos, amor e respeito e não medo (Rom.8.15); deve ter vida honrada para que os filhos o honrarem (Ef 6.2); não deve irritá-los (Gol. 3.21); mas deve incentivá-los, consolá-los e admoestá-los em amor (l Tes. 2.11-12). Que Deus ajude a cada pai a desenvolver a paternidade com responsabilidade. |
|
Pr. Wagno Alves Bragança |