| Aos Hebreus IV |
É notável observar três destaques sobre Cristo na forma de manifestação, que podemos intitular de grandes Manifestações de Cristo, citadas no capítulo 9: A primeira, localizada no passado, sobre a cruz -"mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado peio sacrifício de si mesmo" (Heb. 9: 26). A segunda manifestação, focalizada no presente, à direita do trono - "para agora manifestar-se por nós perante a face de Deus" (Heb. 9: 24). E a terceira localização, na nuvem de glória - "para tirar os pecados de muitos, manifestar-se-á segunda vez sem pecados, aos que o esperam para salvação" (Heb. 9: 28). Cristo ofereceu a si mesmo como sacrifício, um Cordeiro sem mancha. O sacerdote oferecia vidas de novilhas e bodes, mas eles não podiam extirpar o pecado. Este melhor sacrifício tem de ser oferecido uma só e única vez a favor de todos, (Heb. 10:10- 18). Desde que Cristo fez este novo e vivo caminho para a presença do Pai, cheguemos com ousadia ao trono da graça. A questão do pecado fica estabelecida para sempre. A morte de Cristo é suficiente. Deus pode agora não somente perdoar nossos pecados, mas também purificar-nos do pecado. Somente o sangue de Cristo pode tirar para sempre a mancha do pecado. Nunca deixando de nos aproximar do trono da graça, mas também não negligenciando a nossa própria assembléia - igreja (Heb. 10:25). Nada há igual a amizade cristã para nos fazer crescer. Estes capítulos 9 e 10 referem-se à Nova Aliança - As ordenanças e o santuário da Velha Aliança eram meros tipos: "A primeira aliança também tinha preceitos de serviço sagrado, e o seu santuário terrestre" (9: 1). Apesar das imperfeições dos sacrifícios e do santuário, por sua significação, não se pode descartar a glória daquele tabernáculo. Nele estava o incensário de ouro, a arca do concerto, o vaso de ouro que continha o maná, a vara de Arão, as tábuas do concerto, os querubins da glória. Contudo, o sacrifício de Cristo é único e perfeito, O tratado aos Hebreus nos mostra que o santuário e o sacrifício da nova aliança não são sombras, mas realidade. "Porém veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo", ofereceu a si mesmo, purificando as nossas consciências para o serviço ao Deus vivo". Por isso mesmo é o Mediador da nova aliança". Assim, a única entrada para a presença de Deus com seu único sacrifício abria o caminho para Deus. Westcott diz que o sacrifício de Jesus difere dos sacrifícios de animais de quatro maneiras, a saber: (a) Por ser voluntário; (b) Por ser espontâneo; (c) Por ser racional; (d) Por ser moral. Aprendemos que a nova aliança é o último desejo e testamento de Cristo, bem como a única maneira em que podem ser perdoados os pecados. A morte de Cristo foi necessária porque Cristo era o Mediador dum novo Testamento. "Porque onde há testamento necessário é que intervenha a morte do testador" (9: 16). Outra razão para a morte de Cristo é dada nestes termos: "Sem derramamento de sangue não há remissão" (9: 22). O santuário celestial foi purificado com sacrifício melhor, tornando-se uma purificação perfeita. Jesus não entrou num santuário feito por mãos humanas. Ele entrou na presença de Deus por seu próprio sacrifício. O sacrifício que Cristo realizou é único e suficiente. Num rápido resumo, podemos dizer que o autor oferece um paralelo entre a vida do homem e a vida de Cristo. (1) O homem morre e logo vem o juízo, mas com Cristo é diferente - Cristo morreu, ressuscitou e vive; vem para julgar, como está escrito: "Por quanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que determinou; e disso, deu certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos" (At. 17: 31). Pr. José Alves da Silva Bittencourt |