ARREPENDIMENTO - o outro lado humano da salvação - IV |
Não poderíamos prosseguir neste estudo sem considerar a natureza do arrependimento. No tocante ao intelecto, trazemos de novo à memória a atitude do filho a quem o pai disse: "Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha e ele respondeu: Não quero. Mas arrependendo-se foi" (Mt. 21: 29). O rapaz mudou a sua mente, seus pensamentos e opiniões. Sendo assim, o arrependimento é uma revolução, movendo nossa atitude e opiniões com relação ao pecado e à justiça. O arrependimento leva-nos a repudiar com veemência o pecado, ensinando-nos a amar a santidade e a pureza. O filho pródigo do evangelho de Lucas arrependeu-se da decisão que tomara ao deixar sua casa, ao gastar dissolutamente a parte da fazenda que recebeu com as meretrizes e com todas as vis paixões do seu tempo; achou-se na miséria e mal amado; lembrou-se das beneficências da casa paterna que abandonara; reconheceu que pecou. Arrependeu-se, mudou a sua mente, e decidiu voltar para o convívio do lar mesmo como servo. O filho pródigo considerou o seu passado, mas olhou para o futuro decididamente: "Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros. E, levantando-se, foi para o seu pai"(Luc. 15: 18 - 20). Quando Pedro, no Pentecostes, pregou aos judeus que se arrependessem, ele queria dizer-lhes que mudassem as suas mentes a cerca da pessoa de Cristo. Que deixassem de considerar a Jesus como um mero homem, um blasfemador ou um impostor para reconhecê-lo como o Filho de Deus, o Messias, o Redentor do mundo. Com relação às emoções o apóstolo Paulo escreve o seguinte na sua Segunda epístola aos Corintios: "Agora alegro-me, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para o arrependimento (II Cor. 7: 9). De Tiro e Sidon diz Jesus no evangelho: "Já há muitos, assentados em saco e cinzas, ter-se-iam arrependido" (Luc. 10: 13). É muito importante e significativa a dedução que se pode tirar da atitude da mulher pecadora, a quem Jesus apreciou, dizendo: "Esta (mulher) regou-me os pés com lágrimas e mos enxugou com os cabelos" (Luc. 7: 44). Foi uma demonstração de arrependimento. Em contraste com o arrogante fariseu que declarava em oração seus méritos, o publicano em sua súplica nem ousava levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador". Com isto mostrou seu sentimento de arrependimento. (Luc. 18: 13, 14). A palavra grega para arrependimento, além de mudança de mente envolve a idéia de ansiedade, de preocupação, de emoção, de conversão de participação, de profundo interesse. E a palavra hebraica {i{g (nocham) para arrependimento significa suspirar ou gemer, expressando tristeza profunda, conforme esta passagem do Salmo 38: 10: " Eu confessarei a minha iniqüidade; afligir-me-ei por causa do meu pecado". No tocante à vontade, a palavra hebraica para arrependimento também significa "voltar". Outra vez lembramos da atitude do filho pródigo de voltar para o Pai (Luc. 15: 18 - 20). Aqui o arrependimento é uma crise com uma troca de experiência em vista. De fato, o arrependimento é mais do que um ato de levantar e ir; trata-se de uma volta do pecado e de uma volta para Deus. Não se trata de uma simples reforma sem regeneração. "Dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro" (I Tess. 1: 9) e mais: "Das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus" (At. 26: 18). |
Pr. José Alves da Silva Bittencourt |