Adoração III |
A principal palavra do Velho Testamento para adoração שָרַוךן shãhãh, inclinar. Outra palavra usada para adoração é סָנַד saghadh com a significação de prostrar, como ocorre em Is. 44: 15, 17;46:6. Este texto condena o culto da idolatria da forma, ainda que artisticamente talhado, usando a madeira ou metal precioso. Em Ex. 4: 31 está escrito: "E o povo creu: e, tendo ouvido que o Senhor havia visitado aos filhos de Israel, e lhe vira a aflição, inclinaram-se, e o adoraram". A atitude da mente e do corpo é contemplada na ideia do Velho Testamento. Ambas combinadas com as noções mais genéricas de adoração religiosa, obediência e serviço. A leitura de l Crôn. 29: 20 ilustra bem o sentido e a atitude da adoração religiosa assim: "Então disse Davi à congregação: Agora louvai ao Senhor de seus pais e inclinaram-se, e prostraram-se perante o Senhor" (l Crôn. 29: 20). Davi e os príncipes estavam reunidos, ocasião em que Davi, com seu exemplo exorta o povo a contribuir de boa vontade para a construção do templo. Especificamente a adoração pêlos serviços desenvolvidos no templo consistia: (1) De atos de sacrifícios; (2) de atos cerimoniais e postura de adoração; (3) o serviço de louvor incluía instrumentos adequados ao culto ou com som vocal, o cântico dos Levitas; ou conjugando-se o som vocal e o instrumental. Isso se deu quando a arca foi levada para o santuário do templo. Diz o texto sagrado: "Eles uniformemente tocaram as trombetas e cantavam para fazerem ouvir uma só voz bendizendo e louvando ao Senhor; e levantando eles a voz com trombetas, e címbalos, e outros instrumentos músicos, e cantaram dizendo: Porque Ele é bom, e sua misericórdia dura para sempre" (II Crôn. 5: 13); (4) a oração pública estava ligada à adoração, tal como descrito em Deut 26, na dedicação do templo II Crôn. 6; (5) a adoração era expressa em festas especiais - Páscoa, Tabernáculo, etc.; sobre o lugar da adoração temos a indicação de lugares altos, santuário, tabernáculo, templo,etc. Este procedimento indicava a ideia de Deus onipresente. Ele se faz presente em todo o lugar. Neste sentido é bom ler o Sal. 139 a partir deste ponto: "Para onde me irei do teu Espírito?" (Sal. 139:7-12). O mais importante é considerar o objeto da adoração. A leitura de Luc. 4: 8 deixa isso claro, assim: "Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás". A idolatria é proibida nestes termos: "Não terás outros deuses diante de mim" (Ex. 20:3). Muitos prestam culto a um ídolo de madeira, metal ou pedra. Outros investem seu poder de adoração em si mesmos, no trabalho, no dinheiro, nos prazeres, na família, nas possessões, no poder e na ciência. Cornélio errou o alvo da adoração, quando prostrou diante de Pedro, ao que o apóstolo reagiu, dizendo-lhe: "Levanta-te, que eu também sou homem" (At. 10: 25,26). De fato, não existimos para adorar os homens; não existimos para adorar os anjos (Apõe. 19: 10; 22:8,9). O objeto da adoração é Deus e não os anjos. Ainda outros tomam como alvo de culto a natureza - sol, lua, estrelas, as alvores, etc. É óbvio que não são objetos de adoração (Deut. 4: 14 -20, Jó 31: 24-28). A adoração envolve o que temos e somos, e requer obediência, voluntariedade, fé, humildade, santificação, tempo, recursos, e amor sacrificial. O deus que o homem cria não vai acima dos seus próprios ideais e inclinações, portanto, o melhor mesmo é servir e adorar a Deus em espírito e em verdade. É este tipo de adoração que agrada a Deus, porque é por fé. |
| Pr. José Alves da Silva Bittencourt |