A trindade existe |
Deus é um ser triuno; isto é, são três pessoas em uma só essência Divina. Esta pluralidade na essência Divina é evidente nas Escrituras. Esta constatação é denominada Trindade. As três pessoas na Divindade são o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Iguais em substância e nos atributos. A elaboração da doutrina da Trindade leva em consideração a função das Pessoas, especialmente, o que cada uma delas exerce no contexto da história da salvação. Assim como é em essência, Deus é revelado como Pai, Filho e Espírito Santo, cada um dos atributos pessoais distintos, mas sem divisão de natureza, essência ou ser. A designação de Filho tem o propósito da redenção, da justificação, porque, só assim a segunda pessoa da Trindade pôde vir a ser o Cordeiro de Deus. Este Deus que se fez homem com o propósito da salvação, na sua relação com o Pai a Escritura diz : ele é o unigénito Filho. O gênito de Deus é Deus, e assim aparece nas Escrituras. Jesus se dirige a Deus como Pai - "Graças te dou, ó Pai" (Mat. 11.25). No Getsêmane: "Aba, Pai, todas as coisas são possíveis a ti" (Mc. 14.36. Luc. 10.21; 22.42; 23.34,46). Há uma passagem em que Cristo fala de Deus como seu Pai com exclusividade, peculiarmente. "Eu o confessarei diante de meu Pai" (Mat. 10.32). Outro exemplo: "Como também recebi de meu Pai Apc. 2.27. E assim em Mateus, Lucas, João e no Apocalipse, com exceção desta expressão: "Pai nosso que estás no céu", mas isso era para ser dito pêlos discípulos aos quais ensinava a orar. No evangelho de João 1.1 está escrito: "No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus", kai Theós én ho lógos (καί θεός ήν ό λόγος). O artigo está indicando o sujeito lógos (λόγος), pois em grego o nome predicativo que é Theós (θεός), não leva artigo, por isso que a tradução citada está correta. Na relação eterna com o Pai temos esta passagem: "O Pai está em mim e eu nele" (Jo. 10.38). No Antigo Testamento há expressões que mostram a distinção do Espírito em relação a Deus, assim: "O Espírito de Deus se movia sobre a face das águas" (Gen. 1.2). "O meu Espírito não contenderá para sempre com o homem" (Gen. 6.3). "Não retires de mim, teu Espírito" (Sal. 51.11). No Novo Testamento, a distinção entre as pessoas Divinas é claramente expressa no batismo de Jesus. "E sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus e o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo" (Mat. 3.16-17). Jesus roga ao Pai para enviar um outro Consolador - o Espírito - para que fique conosco para sempre. (Jo. 14.16). Esta íntima relação entre o Pai, o Filho e o Espírito é evidente em João 16.7: "Se eu não for o Consolador não virá b vós". E mais, diz o evangelho: "O Espírito" vos guiará em toda a verdade... e vos anunciará o que há de vir" (Jo. 16.13). No Novo Testamento há uma distinção e significativa menção do Espírito Santo como o há do Pai e do Filho. Cada um dos três é Divino: (1) O Pai é Divino: há passagens que expressamente chamam Cristo de "Filho de Deus" (Mac. 1.1), "Eu sou o Filho de Deus" (Jo. 10.36). O apóstolo Pedro afirma: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus" (Mat. 16.16). (2) O Filho é Divino - Filipe pediu a Jesus assim: "Senhor, mostra-nos o Pai" (Jo. 14.8). A resposta é inconfundível: "Quem me vê a mim vê o Pai" (Jo. 14.9). O mesmo Jesus declara: "Eu e o Pai somos um" (Jo. 10.30). O Filho e o Pai são Deus, conforme as Escrituras afirmam incontestavelmente: "Chamá-lo-ão pelo nome de Emanuel, que traduzido é: Deus conosco" (Mat. 1.23). Cristo é "Deus bendito eternamente" (Rom. 9.5). Ainda referente a Cristo, temos esta Escritura: "Ó Deus, o teu trono subsiste pêlos séculos dos séculos" (Heb. 12.8). Como vimos esta distinção pessoal não afeta a essência Divina. O Espírito é expressamente chamado Deus em conexão com o caso da mentira de Ananias e Safira, mentindo contra o Espírito mentiam contra Deus. At. 5.3, 4, 9: O Pai, o Filho e o Espírito Santo existem como pessoas, agem como tais: contudo, são da mesma natureza e competência. O nosso Salvador, Jesus Cristo, perdoa pecados. Só Deus pode perdoar pecados; logo, Jesus Cristo é Deus. O evangelho registra isso assim: "Jesus disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados". Os escribas arrazoaram. "Quem pode perdoar pecados, senão Deus?" Jesus diz: "Para que saibais que o Filho do homem tem poder, para perdoar pecados disse ao paralítico: Levanta-te, toma teu leito, e vai para tua casa" (Marc. 2.1-12). Em resumo, a Trindade existe, e nenhuma coisa foi feita sem sua operosidade. Se cada pessoa da Trindade é Divina, segue-se que Jesus Cristo é Deus eterno e todo-poderoso. |
Pr. José Alves da Silva Bittencourt |