Panorama dos Evangelhos - II
MARCOS

O Evangelho de Marcos é um texto compacto na narrativa da vida e feitos de Jesus. O escrito é fonte para Mateus e Lucas para comporem as narrativas sobre anúncio, nascimento, vida e feitos de Jesus Cristo. Os três evangelhos relatam com fidelidade, inspirados pelo Espírito, o que ocorreu em relação ao julgamento, morte e ressurreição de Jesus. Estes são os evangelhos chamados sinópticos.

Nesta oportunidade é útil dizer que esta palavra vem do grego: sun + "junto com" e ópsis que significa "visão". Os escritores tiveram uma visão conjunta, isto é, de um mesmo ângulo. Assim o ponto de vista de Mateus, Marcos e Lucas é coincidente sobre a vida de Jesus, e é, praticamente, o mesmo material compartilhado na composição destes evangelhos. O Evangelho de Marcos, no entanto, é tomado como o principal registro histórico utilizado pêlos evangelhos de Mateus e Lucas.

No estudo do Evangelho de Marcos são apreciadas algumas evidências como sendo ele a principal fonte histórica dos sinópticos. Observa-se que a narrativa de Mateus segue o evangelho de Marcos com diferenças mais no estilo literário. Por outro lado, em Mateus algumas passagens foram desenvolvidas, aprimorando a compreensão da Palavra.

A narrativa de Mateus segue a ordem que achamos em Marcos, de um modo geral.
Outras informações estatísticas nos dão conta de que Lucas se utilizou cerca de sessenta por centro do volume total do evangelho de Marcos. Aqui, o notável é que normalmente Lucas preserva a ordem dos acontecimentos apresentados por Marcos. O fato é que há dependência de Mateus e Lucas ao servir-se do evangelho de Marcos. Isto reforça a indicação da posição primária de Marcos, relativamente ao material colhido para escrever o evangelho que tem seu nome.

Os evangelhos de Mateus e Lucas são mais abundantes em informação devido naturalmente, à maior quantidade do seu material. É complicado imaginar que Marcos teve acesso ao abundante material dos outros dois sinópticos, abandonando tanta informação calculadamente.

Marcos nada nos informa sobre o nascimento e o começo da vida terrena de Jesus, e não fornece a genealogia. Mateus e Lucas tem esses dados e os usaram. A genealogia de Mateus aponta Jesus como Rei, por isso que ela inicia apontando Jesus como "Filho de Davi", o rei segundo o coração de Deus. (Mat. 1: 1). E Lucas começa sua genealogia, destacando a Jesus como Filho do Homem e faz esta observação: "E o mesmo Jesus começava a ser de quase trinta anos (como se cuidava) filho de José, e José de Eli". É uma genealogia estritamente pessoal através de Maria.

Em Marcos, Cristo é o servo exaltado. ( Mc. 16: 1 - 20). Depois de dar sua vida em resgate de muitos, Ele levantou da morte. Deu este mandamento: "Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda a criatura" (16:15). Ele ainda é o servo, o trabalhador, ainda que ressuscitado. (Mc. 16: 20). O texto imprime a ideia de que está sempre ocupado pela urgência de serviço, mas não tão ocupado que não pudesse dar atenção adequada a todos. Seu estilo mostra Jesus, o servo fiel trabalhando incansável sem cessar.

Finalmente ele foi recebido acima, no céu para assentar à mão direita de Deus. (Mr. 16:19). Aquele que se revestiu da forma de servo, é agora exaltado soberanamente (Fil. 2: 7-9) posição donde está sempre intercedendo por nós. Nosso advogado.

Cristo está conosco. O Servo está sempre trabalhando, conforme ele mesmo disse: "Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também" (Jo. 5:17). Somos obreiros juntamente com ele. (l Cor. 3:9). Jesus Cristo trabalha por nós e conosco até agora como está escrito: "E eles tendo partido, pregaram portadas as partes, cooperando com eles o Senhor" (Mc. 16:20). Alegremo-nos, perto está o Senhor!

 

Pr. José Alves da Silva Bittencourt