A comunhão, conforme vimos na leitura de l João 1: 7 é condicionada ao andar na Luz. Neste editorial estaremos com a nossa mente voltada para a base da comunhão. De início podemos dizer que o pecado quebra a comunhão; mesmo pensando assim entendemos que nem tudo está perdido, porquanto a comunhão quebrada tem conserto, pode ser restaurada mediante arrependimento e confissão sincera. O profeta Isaías escreveu: "Mas as nossas iniqüidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça (Is. 59: 2). Se Isaías pinta esse quadro terrível e medonho, o apóstolo João em sua primeira epístola 1: 7 providencia a fórmula para a restauração da comunhão purificando o pecador no sangue de Cristo.
Esta aplicação do sangue de Cristo não é automática; ela só se dá, quando o pecador confessa seus pecados, segundo aclara o mesmo apóstolo: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça", (l João 1: 9). Deste modo percebemos que a expressão "andai na luz" equivale a: andar em obediência à vontade de Deus; seguindo seus passos diariamente; seguindo seus passos não cometemos pecado. Sobre o assunto o apóstolo Pedro emite este ensino: "Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas. O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano." (IPed.2:21,22).
A comunhão de que falamos é baseada numa íntima relação familiar para com Cristo e os da sua família. Nesta altura é bom recordar as palavras do profeta Amos ao escrever: " Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?" Certamente não! Eles precisam estar de acordo sobre o lugar de união - na cruz; de acordo com a direção a seguir - para o céu; há de haver uma coincidência de alvo santidade com Cristo; no mesmo ritmo de caminhada - de modo que possamos andar nas suas pisadas.
É na comunhão primeiramente com o Pai e depois com os irmãos no Espírito que refletimos a consolação de amor, os entranháveis afetos e compaixões. Aí tem sempre lugar o reino com amor, os mesmos sentimentos e os mesmos motivos. Neste estado de espírito ninguém irá agitar-se ou meter-se em contendas inglórias. Sua mentalidade é sempre a de servo na imitação a Jesus Cristo, porque "cada um inclina-se a considerar os outros superiores a si mesmo", cultivando a humildade, conforme o ensino e exortação do apóstolo Paulo: "De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus (Filip. 2: 5).
Temos comunhão, pois nossa categoria foi mudada da qualidade de inimigos para a de co-cidadãos dos que se dirigem para o prometido céu de luz. Isto significa que somos filhos do mesmo pai espiritual; que a nós são comuns as mesmas opiniões, as mesmas idéias, e os mesmos princípios de crença. Devemos todos obediência ao mesmo e único Deus e Pai, servindo ao mesmo Salvador, Senhor e Mestre - Jesus Cristo.
Pr. José Alves da Silva Bittencourt