O SOFRIMENTO CRISTÃO IV

         Quando encaramos a criação temos uma relação de causa e efeito. Já cogitamos isso, mas neste artigo queremos apreciar uma relação de propósito. Todas as coisas têm desígnio. O sofrimento existe causado pelo pecado por permissão de Deus. Como outros temas sobre o sofrimento, é importante saber o propósito do sofrimento.

         Em primeiro lugar o sofrimento cristão tem um propósito educacional e disciplinar. O escritor aos Hebreus assim se expressa: "Já vos esquecestes da exortação que argumenta conosco como filho: "Filho meu, não desprezes a correção do Senhor, e não desmaies quando por ele fores repreendido; Porque o Senhor, corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há, a quem o pai não corrige? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos" (Heb. 12: 5 - 8).

          Na sua segunda carta a Timóteo, Paulo sugere que o sofrimento é próprio dos que querem ser fiéis, como disse: "Todos os que piamente querem viverem Cristo Jesus padecerão perseguições". (II Tim. 3: 12). Aqui o propósito para impingir sofrimento é do inimigo da fé, nc sentido de amainar o ânimo, fervor e determinação do crente em obedecer fielmente ao Senhor Jesus Cristo. Então o sofrimento, nesse caso, funciona como sinal e marca do verdadeiro crente. Este deve suportar pacientemente o sofrimento até com ações de graças desde que a disciplina paternal é prova de amor especial.

         Numa segunda visão do assunto, o sofrimento vem como propósito disciplinar é considerado lucro. Diferente dos pais carnais, Deus Pai celestial" para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade" (Heb. 12: 10).

          Numa terceira maneira de ver, esse sofrimento disciplinar tem como propósito produzir santidade. (Heb. 12: 10).

          O Senhor quer que sejamos mais santos, mais piedosos, mais semelhantes a ele mesmo. De fato. fornos criados à imagem e semelhança de Deus. A isso nos conduz o fogo do sofrimento. Mais precisamente o fogo do sofrimento é urn instrumento de prova. O apóstolo Pedro escreve: "A prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e glória, e honra, na revelação de Jesus Cristo" (l Ped. 1:7).

         Em quarto lugar, louvando-nos na passagem que citamos do apóstolo Pedro, o sofrimento pode ser um teste para nós se somos genuinamente crentes em nosso amado Salvador e Redentor. Está nossa confiança nele mantida no mesmo nível e intensidade na dor e sofrimento? O fogo das provações remove a escória e o ouro se mostra puro.

           Podemos dizer, em quinto lugar, que o propósito do sofrimento é para que o cristão produza fruto. Ainda o livro aos Hebreus é para nós uma excelente fonte de citação reconfortante e consoladora assim: "E, na verdade, todfí a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela" (Heb. 12: 11). E nenhum fruto é mais digno do cristão do que a do Espírito, conforme Paulo escreve aos Gaiatas, 5: 22, 23: "O fruto do Espírito é amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei".

          Que nossos sofrimentos resultem em abundante ceifa.

Pr. José Alves da Silva Bittencourt