O apóstolo Paulo trata do assunto perante os pastores da igreja de Éfeso. Entre outras coisas ele lembra as palavras do Senhor Jesus, que disse: "Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber" (At. 20:35).
Em nenhum outro lugar das Escrituras Sagradas estas palavras do Mestre foram citadas. Não resta dúvida que Paulo é um escritor inspirado. O apóstolo Pedro refere-se ao apóstolo Paulo nestes termos: "Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada" (II Ped. 3:15). E disse mais: "Falando disto como em todas as suas epístolas...que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras" (II Ped. 3: 16). Pedro está claramente afirmando que o apóstolo Paulo escreveu Escrituras Sagradas, quer dizer que ele escreveu inspirado pelo Espírito Santo.
Paulo expressou o verdadeiro espírito de Jesus, isto é, seu verdadeiro sentimento. É a vida do Salvador numa frase; o receber está no plano propriamente humano. As crianças são caracterizadas com este sentimento de receber. O homem egoísta traz na sua vontade a ansiedade de receber. As almas nobres são induzidas a receber o que requer deles o exercício da humildade. O dar está num patamar mais elevado. "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mais tenha a vida eterna".
O mesmo apóstolo aos gentios, por ocasião do levantamento da coleta para os cristãos pobres da Judéia, escreve: "Assim como em tudo abundais em fé, e em palavras, e em ciência, e em toda a diligência, em vosso amor para conosco, assim também abundeis nesta graça (II Cor. 8:7).
Conclusivamente, "portanto", ele deseja mostrar-lhes generosidade entres suas graças (v. 7), não a comando, mas para que eles possam emular outros e mostrar seu amor (v. 8) por seguir o exemplo de Cristo (v. 9). E por agir assim eles deviam provar a sinceridade de suas primeiras promessas (vs. 10 e 11), especialmente (vs. 12-15). "Como em tudo abundeis na fé", melhor, "pela fé". O prazer era, principalmente, sincero, contudo, sem dúvida, era expresso com generosidade de amor, como em l Cor. 1: 5: e em nosso amor por vós". O grego diz enfaticamente "e pelo amor que dimana de vós em nós", isto é, o amor que corre de vós, e que eu sinto em mim mesmo"." Assim também abundeis nesta graça": a saber, a graça da liberalidade cristã verdadeira. O contexto mostra que ele está falando de dar - a graça de dar.
Tudo isto nos faz lembrar do Natal como tempo de alegria, cartões e dádivas. Ele marca com precisão características o tempo de dar. Para muitas crianças o espírito de Natal está perdido pois a atitude é de receber presentes em vez de dar em honra ao Salvador no seu nascimento como homem.
O primeiro Natal foi marcado pelo dar. Deus o Pai deu o seu Filho unigênito a este mundo. Na celebração e comemoração disto é bom para nós todos o dar, mas devemos lembrar que, "Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber" (At. 20: 35). Ainda na ilustração com a história do Natal temos homens sábios dando expressivas ofertas: ouro, incenso e mirra a Jesus.
Nesta conexão o receber é para o necessitado, portanto é de baixo, é da terra, é do ser humano. O dar, porém, é do alto, é celestial, de quem tem poder para dar e quer dar.
No exemplo de Deus enviar seu Filho ao mundo para nos substituir na morte, por seu insondável amor, temos o mais expressivo exemplo da graça de dar. |