A Salvação - I Uma Adoção |
Temos na adoção outro modo de explicitar os efeitos da salvação para o homem em sua relação com Deus. Pela série anterior aprendemos que a regeneração dá início à nova vida na qual ativa-se a alma regenerada pelo Espírito Santo. Apreciamos a justificação relacionada com a nova atitude de Deus para com a alma humana. A adoção admite a pessoa na família de Deus com alegria filial para o nosso Deus Pai. A regeneração é uma mudança de natureza; a justificação é uma mudança de posição em retidão; a santificação é uma mudança de caráter; mas a adoção é uma mudança de valorização relacional responsável. Pela regeneração o crente torna-se um filho de Deus; pela adoção a nova criatura recebe a posição de um filho adulto; a criança torna-se um adulto: "Par remir os que estavam debaixo da Lei, a fim de recebermos a adoção de filhos" (Gál. 4: 5). Conclui logicamente o apóstolo: "Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo" ( Gál. 4: 7). A adoção é o nosso crescimento na medida da estatura de Cristo, e nessa qualidade, ocupando nossa peculiar posição. Neste caso surgem por esse raciocínio duas questões bem significativas sobre as quais devemos ponderar: Este crescimento e ocupação de posição é estabelecida instantaneamente com a conversão? E esta outra: Pode o adotado filho ser deserdado e lançado fora por tornar-se um pródigo? Como disse, é algo a ponderar. O melhor, no momento, é considerarmos a significação da adoção. Esta é uma palavra grega que quer dizer, a "colocação de um filho" υι̉οδεσία = υι̉ός + δεσία de τίδημι, colocar). Com este termo Paulo ilustra como o Espírito Santo leva os homens à família de Deus, utilizando-se do costume da adoção entre os romanos. Assim os crentes ficam colocados na posição de filhos adultos, não mais infantes que ainda não chegaram à idade de entrarem na posse de sua herança, que não possam participar de todos os direitos e privilégios característicos dos que pertencem à família divina. Pela adoção o crente entra para a família de Deu como adulto, espiritualmente falando; portanto, capaz de gozar dos plenos benefícios da sua herança, bem como de assumir as responsabilidades decorrentes dessa posição. Por esta maneira de ponderar, é seguro declarar que essa adoção de filhos produz nos crentes a filiação adulta! O apóstolo Paulo argumenta: "Não recebeste o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: "Aba, Pai" ( Rom. 8: 15). O apóstolo toma uma prática da família romana, para indicar que o filho adotivo de Deus se torna, num sentido peculiar e íntimo, unido ao seu Pai celeste. Não só unido, mas identificado e responsável consciente da nova e graciosa posição em que está classificado. Por hoje é só. |
Pr. José Alves da Silva Bittencourt |