Arrefecimento Espiritual l

Muitas vezes achamos que o crente é sempre um forte, mas não é assim, porque o crescimento espiritual tem altos e baixos. A partir daí é fácil entender a exortação Petrina: "Crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo (II Ped. 3: 18). Outra exortação neste sentido é a de Paulo: "Sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor" (l Cor. 15: 58).

Apesar de sabermos que no mundo teremos aflições, elas não são sempre iguais, e as circunstâncias também são adversas.

O certo é que "a carne é fraca". Mesmo sabendo que não vem sobre nós "tentação senão humana", o apóstolo Pedro escorregou na sua fé, traindo o Mestre.

Naturalmente cada crente pode pensar que isso nunca acontecerá com ele. Aí é tempo de lembrar do solene aviso registrado em l Cor. 10: 12: "Aquele pois que cuida estar em pé, olhe não caia". Seria bom, então, atentar para a advertência deste Provérbio: "A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda" (Prov. 16:18).

Na verdade estamos guardados pela graça e força do Senhor contra a perdição da nossa alma, porque não se perde a salvação; contudo, "o Diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar" (l Ped. 5:8).

O apóstolo Pedro, instrumento da revelação tão expressiva sobre Jesus, afirmando que ele era "o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mt. 16: 16), chegou a ser fraco bastante para negar seu Mestre em momento tão inoportuno. Ninguém pode negar a capacidade do nosso Senhor, para nos livrar e libertar. Jesus quer livrar-nos, e por isso mesmo intercede por todos nós como fez com o apóstolo Pedro, conforme Lucas registrou: "Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça" (Luc. 22: 31,32). Assim, o mesmo Pedro que negou seu Mestre, arrependido, "chorou amargamente". Caiu, mas não ficou prostrado.

Infelizmente temos de admitir que muitos deliberadamente, se afastam do Senhor, e recebem o dano da apostasia da sua fidelidade, atraído pelas concupiscências mundanas. Por isso mesmo convém-nos atentar com mais diligência para esta exortação do apóstolo Paulo ao escrever sua segunda epístola a Timóteo, seu filho na fé: "Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus" (II Tim. 1: 13).

O esfriamento do fervor espiritual, pode acontecer com as próprias igrejas, conforme está registrado no livro da Revelação assim: "Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor" (Apõe. 2: 4).

O Senhor instruiu a sua igreja que reúne o povo do Senhor. Assim, pela igreja, não somente se cultua ao Senhor juntamente, mas também desenvolve a fraternidade, a harmonia no exercício da fé, mantém e faz crescer o fervor, e o dever da intercessão uns pêlos outros. Pela igreja os crentes aprendem a suportar uns aos outros, e a estimular uns aos outros à fidelidade, e à honestidade no servir e honrar ao nosso Deus no testemunho da fé pela extensão do Reino de Jesus Cristo, na igreja, em cada crente e no mundo.

O arrefecimento espiritual é paulatino, a começar pelo abandono da igreja local. Daí a instrução da Palavra inspirada: "E consideremo-nos uns aos outros para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quando vedes que se vai aproximando aquele dia" (Heb. 10: 24,25).

Pr. José Alves da Silva Bittencourt