CONSAGRAÇÃO - I

 

As definições não são perfeitas, mas sempre facilitam a compreensão do tema. Neste primeiro momento não estamos querendo fazer uma descrição do assunto. O que desejamos é apenas  anunciar aquelas características próprias e exclusivas do termo a ponto de bem distingui-la totalmente de outros.

Nesta linha de pensamento, podemos dizer que consagração envolve dois atos: O primeiro deles é submeter minha vontade a Deus – a apresentação de mim mesmo a Cristo para sua glória; uma segunda maneira de dizer é que consagração é o ato de Deus, quando ele aceita o sacrifício que alguém lhe oferece. Os sacerdotes se consagraram a si mesmos. Arão e seus filhos meramente se submeteram a vontade de Deus.

Consagração envolve devotar-se a si mesmo a Deus como bem ilustra este texto do profeta Miquéias: “Levanta-te, e trilha, ó filha de Sião,  porque eu farei de ferro o teu chifre, e de cobre as tuas unhas; e esmiuçarás a muitos povos, e o seu ganho será consagrado ao Senhor, e a sua fazenda ao Senhor de toda a terra” (Miq. 4: 13); além disso, envolve separação para Deus. É assim que lemos em Números: “Então separará os dias do seu nazireado ao Senhor, e para oferta pela culpa trará um cordeiro de um ano”(Num. 6:12);  também envolvem cumprimento, satisfação. No capítulo do livro de Êxodo que trata das cerimônias da consagração está escrito: “E comerão das coisas com que for feita a expiação, para consagrá-los e para santificá-los. O estranho não comerá delas, porque são santas” (Ex. 29: 33). E  ainda mais envolve o ser separado para o serviço de Deus, conforme o ensino de Moisés em Êxodo: “Falarás também a todos os homens hábeis, a quem enchi do espírito de sabedoria, que façam vestes para Arão para consagrá-lo; para que me ministre o ofício sacerdotal” (Ex. 28: 3).

Outra consideração a fazer afora este esforço para a compreensão duma definição adequada é  a  indagação  de  quem  pode ser consagrado. Aqueles que são limpos  pelo sangue de Cristo podem ser escolhidos para consagração. Aqueles que são membros da família de Deus são convidados para se consagrarem.

A consagração não é exclusiva dos grandes, dos poderosos ou talentosos, mas é aberta a cada crente. O apóstolo Paulo faz este significativo apelo: “Rogo-vos pois, irmãos pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rom. 12: 1).

É nesta atitude de sincera dedicação que o crente fiel chega a experimentar “qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (v. 2).

 
Pr. José Alves da Silva Bittencourt