| Aos Hebreus - l |
Temos aqui uma obra de autor desconhecido que tem por centro o sacerdócio de Cristo preparado entre os anos 68 a 70 dC. e antes da destruição do templo. Alguns estudiosos julgam que se trata de um escrito de Paulo, considerando os termos da referência a Timóteo no capítulo 13: 23: "Sabei que já está solto o irmão Timóteo". Contudo, há muitos pontos que contrariam a autoria de Paulo, entre eles, a linguagem e estilo, que são dissimilares aos de Paulo. É claro, no entanto, que Hebreus é parte das Escrituras. É certo também que o livro, ou o sermão, ou tratado como é classificado por alguns comentaristas foi preparado antes do ano 70, ano da queda de Jerusalém pelo poder Romano comandado por Titus Flavius Vespasiano, desde que há menção expressa que mostra o templo em pleno funcionamento, conforme Hebreus 10:11. O sermão que foi uma exortação dirigida aos judeus - cristãos por sua profissão de fé em Jesus como o Messias, mas sem firme convicção. Eles começavam a pensar que tinham perdido tudo - altar, sacerdotes, sacrifícios por terem aceitado o cristianismo. Ao mesmo tempo a exposição mostrava que o judaísmo tinha acabado sua função, por Cristo ter cumprido a Lei. Assim a volta da profissão cristã era um atraso na sua vida espiritual verdadeira. O escritor prova que eles perderam foi somente a sombra "dos bens futuros", mas a substância fora oferecida (Jesus Cristo). Em vez de perderem tudo eles ganharam tudo. Porque receberam a Cristo passaram a ter: 1) O grande Sumo Sacerdote (4:14) 2) Uma âncora da alma (6:19) 3) Um Sumo Sacerdote entronizado (8:1) 4) "Uma possessão melhor e permanente" (10: 34b) Assim, os que são de Cristo têm as "melhores" coisas do cristianismo. Este livro leva o leitor a conhecer a real diferença entre ter Cristo como Salvador e como um Sacerdote. O perigo de voltar ao Judaísmo pode proceder de diversas fontes: (1) Havia uma tendência para deixar a Cristo, "Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo" (3: 12). (2) O elaborado culto do templo comparado com o culto simples da igreja; (3) Foram acusados de traidores por terem desprezado a Lei que foi dada pela mediação de anjos, pêlos profetas, por Moisés, pelo ministério do santuário e por meio dos sacerdotes de Deus. (4) Sofrerem debaixo de perseguição. O propósito e conteúdo então, do tratado foi prevenir a apostasia deles do cristianismo para o judaísmo e incidentalmente confortá-los em seus sofrimentos e perseguição. Cumprir o propósito do autor de mostrar, por comparações várias, que a religião de Cristo é superior à que precedeu. "Melhor" é a palavra-chave, que, com outros termos de comparação, como "Mais excelente" são constantemente usados para mostrar a superioridade do cristianismo. Ênfase especial é posta em Cristo como nosso Sumo Sacerdote perante Deus. Nisto tudo há muitos avisos solenes e fervorosas exortações. Desde que o escrito é muito parecido com um sermão em que o autor muitas vezes, volta-se para exortar, e então retorna ao tema principal. De fato, é difícil comparar o escrito com uma carta, pois falta-lhe a saudação e o fim característico de uma epístola. O que temos de aceitar é que o ensino aos Hebreus era inspirado pelo Espírito Santo, seja quem tenha sido o escritor, ou expositor oral do sermão, ou ainda o redator da carta ou epístola. Pr. José Alves da Silva Bittencourt |