Natal,comércio ou encontro?

Pensar no natal hoje é ser invadido por uma série de propagandas que incentivam o consumo. Aproveita-se a injeção de mais recursos com pagamento extra para presentear parentes e amigos. A cidade se enfeita de luzes e as lojas estimulam a necessidade do “ter”. A ênfase, embora disfarçada, é lançada nas “coisas” e não nas “pessoas”. O personagem principal deixa de ser Jesus para ser o Papai Noel. Assim, o sentido de doação, de entrega e de fraternidade pode se perder se não atentarmos para estas sutis (às vezes nem tanto) inversões dos valores.

O natal deveria evocar o sentimento de gratidão a Deus, por ter se feito homem, e na condição humana, levar sobre si todas as nossas dores e enfermidades da alma, possibilitando assim, a salvação pela graça divina, que é recebida por meio da fé em Jesus Cristo como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Essa gratidão deve ser manifestada na vida daqueles que nos cercam e num gesto de solidariedade, abrir nosso coração a recebê-los com carinho e consideração.

Outro sentimento que o natal deveria despertar é o da doação. Assim como Deus se doou a humanidade numa manifestação cabal de amor, deveríamos nós também nos doar ao próximo. Doar o perdão na busca da harmonia que deve caracterizar nossas relações. Doar simpatia na convicção de que um sorriso no rosto aproxima as pessoas e os braços abertos encurtam as distâncias.

Mais do que presentes (Embora eles possam fazer parte) devemos ter em mente que o presente maior de Deus – Jesus Cristo o Salvador – é recebido quando lidamos com respeito e reconhecimento dos outros. Ele, porém, fica de fora, quando excluímos, por ações, palavras e pensamentos, aqueles pelos quais Ele deu a sua vida.

Natal não é comercio. Natal é vida. Vida de Deus, que ao se humanizar se identifica conosco, compreende nossas limitações, perdoa nossas falhas e nos ajuda a viver nossa humanidade na perspectiva dos céus, assim como Deus em Cristo, viveu sua divindade na forma humana. Que o clima do natal vá mais além do simples comércio e que seja mais uma oportunidade do encontro consigo mesmo, com o próximo e com Deus em sua plena revelação de graça e amor.

 

Pr. Wagno Alves Bragança