No artigo anterior nos detivemos no ensino católico sobre a virgindade de Maria como tendo sido concebida sem pecado original. É bom lembrar que de um só sangue fez Deus toda a geração dos homens, conforme escreve Lucas: "De um só fez toda a raça humana, para habitar sobre a terra" (At. 17: 26). Sobre estes habitantes da terra o apóstolo Paulo afirma: "Todos pecaram, e necessitados estão da glória de Deus" (Rom. 3: 23). Assim, o verdadeiro Cristianismo não pode ensinar que a Virgem Maria, mãe de Jesus, enquanto homem, foi concebida sem pecado original.
2. A Perpétua Virgindade de Maria
"Ela foi sempre uma Virgem - uma Virgem antes de ser desposada, i durante sua vida de casada, e depois da morte de seu esposo" (James Cardinal Gibbons, The Faith of Our Fathers, One Handred and Tenth Edition, P. J. Kenedy & Sons. New Yoork. P. 138).
Sobre esta doutrina não há o mais leve traço no Novo Testamento. O Novo Testamento ensina é que os seus conterrâneos admirados com o seu poder e sabedoria exclamavam: "Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas? E não estão entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe veio pois tudo isto?" (Mat. 13: 55 e 56; Mc. 6; 2 e 3).
Não há evidência de que a virgindade de Maria tenha sido ensinada nos primeiros três séculos depois de Cristo. Isto é mais um resultado do ensino pagão do Celibato surgido nos primeiros séculos do cristianismo. Os gregos e os romanos concebiam deusas virgens. Afora as virgens vestais romanas, nada havia de mais importante do que a formação de uma família.
"Aqueles que rejeitam a doutrina absurda não bíblica da superioridade do celibato para a vida matrimonial nada verão de indigno para Maria no fato que ela deu à luz no mínimo seis filhos a José depois do nascimento de Jesus, e não estarão sujeitos a qualquer necessidade de fazer infrutíferas tentativas para explicar a clara significação da Palavra de Deus" (John A. Bain. The Developments of Rom. Catholicism, p. 103).
Temos no evangelho de Lucas que Jesus era o "primogênito" de Maria. (Luc. 2: 7). Esta escritura deve ser entendida no sentido natural, isto é, que Jesus foi o primeiro filho de Maria, sendo o unigênito de Deus, isto é, o Filho único de Deus.
Os batistas entendem que a Escritura é padrão da doutrina, e jamais permitem a doutrina como molde para a Escritura. Neste caso é uma impossibilidade prática achar qualquer sustentação dada à Virgindade Perpétua de Maria no Novo Testamento, a regra de fé e prática do verdadeiro Cristianismo.
1. Já vimos que não há um verso sequer na Bíblia que declare que Maria foi concebida sem pecado:
2. Maria não foi virgem no estrito sentido da palavra, pois ela teve outros filhos; quatro filhos, e, no mínimo, duas filhas. (Mat. 13: 55, 56). Neste sentido o ensino católico é sem lógica e sentimentalista;
3. A perpétua virgindade de Maria é simplesmente uma invenção criativa da mente idólatra católico-romana;
4. Há um texto no profeta Isaías que bem pode ser aplicado a esta tendência católica de criar suas próprias doutrinas à margem das Sagradas Escrituras: "À Lei e ao Testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva" (Is. 8: 20).
Ainda bem que estas aberrações tão bem acolhidas e cuidadosamente ensinadas e praticadas são ensinos peculiares da Igreja Católica Romana, e não do verdadeiro Cristianismo.
Pr. José Alves da Silva Bittencourt |