Adoração IV |
Os cristãos, durante muito tempo, serviram-se do templo e das sinagogas como lugar de adoração. E, em grande parte cultivavam o mesmo sistema de adoração com as devidas alterações em virtude da nova fé. E não poderia ser diferente, porque agora viviam debaixo do pacto da graça. A celebração da ceia do Senhor expressa isto desta forma: "Este cálice é o Novo Testamento, no meu sangue" (l Cor. 11: 25). Os judeus atentos ao ensino do Velho Testamento celebravam a páscoa. Jesus transformou alguns elementos da festa judaica, conforme diz o texto de Mateus: "E enquanto comiam, Jesus tomou o pão, e abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: "Tomai, comei”. E sobre o cálice ordenou: "Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados" (Mat. 26: 26,27). Jesus tomou elementos da páscoa judaica e instituiu a "Ceia do Senhor". A páscoa é celebração judaica; a ceia é celebração claramente cristã. Mas um dos elementos comuns a ambas era o louvor com cântico de hino: "E tendo cantado o hino, saíram" (Mat. 26: 30). E por falar em cântico a adoração conservava um culto que indica, além da leitura e exposição das Escrituras, e das orações, no culto havia o abundante e alegre canto. O apóstolo Paulo destaca isto em exortação, dizendo: "Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração" (Ef. 5: 19). Neste tempo não havia, nem palmas nem danças, no culto: porquanto não foram mencionadas nessa rica oportunidade. Nas passagens clássicas para a adoração cristã destacamos João 4:23,24. O texto mostra que "os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em Espírito e em verdade", porque Deus, que é Espírito, quer ser adorado "em Espírito e em verdade". Os que assim procedem são classificados como "verdadeiros adoradores". Além desta passagem, também clássica é Fil. 3: 3, "Nós servimos a Deus em espírito". Os textos citados também fazem da adoração pública alguma coisa mais profunda do que uma simples emoção humana. A cogitação deve ser sobre a base para a adoração. Como pode um pecador ser aceitável em adoração por Deus que é santíssimo, na linguagem de Is. 6: 5? A única base para a adoração aceitável é pelo sangue de Jesus Cristo como em sacrifício agradável ao Senhor. O escritor aos Hebreus é bem expressivo ao escrever: "Tendo pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus" (Heb. 10:19). Não há outro meio de nos fazer aceitáveis diante de Deus. Devemos adorar a Deus numa relação de "Pai" seguindo os ensinos do próprio Cristo, conforme registrou Mateus: "Portanto vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome" (Mat. 6: 9). O grande intérprete do cristianismo, o apóstolo Paulo dá-nos a razão porque os verdadeiros adoradores devem adorar a Deus na acepção de "Pai". Diz assim o grande apóstolo: "Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Abba, Pai" (Rom. 8:15). Em última análise, neste artigo, podemos citar a tradução que Joseph James fez de Fanny Jane Crosby: "A Deus demos glória, porquanto do céu, Seu Filho bendito por nós todos deu" (Hino 15 do Cantor Cristão). A adoração glorifica a Deus. |
| Pr. José Alves da Silva Bittencourt |