Panorama dos Evangelhos - VIII

O Evangelho de João

Já temos uma panorâmica do ministério público de Jesus. Agora élógico que observemos   o   ministério   particular   do   Mestre,   conforme apresentado no Evangelho de João. Para este propósito remetemos o leitor à leitura do capítulo 13 ao 17.

Observamos que tudo que foi feito nos capítulos 13 e 14 teve como local o espaçoso cenáculo mobiliado e pronto para a celebração da Páscoa por Jesus com seus discípulos. (Mc. 14: 14 - 16).'Na última Páscoa Jesus lava os pés dos discípulos e prediz que Judas é um instrumento do Diabo, e se torna um traidor. Aí mesmo o Mestre prediz que Pedro o trairá. Isto faz parte das últimas instruções de Jesus aos discípulos. Além disto ele dá a razão da sua saída do mundo e faz a importante promessa do Consolador: "Eu rogarei ao Pai, e Ele nos dará outro Consolador, para que fique conosco para sempre".

No mesmo capítulo que ele consola seus discípulos sobre sua saída do mundo por um pouco, também afirma que vai preparar-lhes lugar; faz-lhes a rica promessa de vir outra vez para os levar para si mesmo. Quem o conhece sabe o caminho das moradas eternas. Ele disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim".

Um ponto distinto e marcante da presença do Espírito Santo é a obra da revelação de que os discípulos tornar-se-iam legítimos instrumentos: "Mas o Consolador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que eu vos tenho dite--" (13: 26). Sua base de ensino não eram as emoções, mas o intelecto, o que também mostra a racionalidade da fé.

Há uma união íntima entre Jesus e os crentes, quando diz: "Eu sou a videira verdadeira e vós as varas". A permanência dessa relação entre os ramos e a videira verdadeira resulta em muitos frutos. Ele os escolheu para dar muito fruto no seu viver.

Jesus fez dos discípulos seus amigos e os escolheu com amor e os | exorta que andem em amor: "O meu mandamento é este: Amai-vos uns aos outros, 5 assim como eu vos amei" (15:12).

O mundo que odeia os discípulos primeiramente odiou a Jesus. Não temos de agradar o mundo alienado de Deus, porque isto não muda sua natureza.

Ainda nessas últimas instruções aos discípulos, o Mestre repete a promessa do Consolador como operador de uma obra tripla: "Quando ele vier convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo" (16: 8).

Jesus avisa que eles serão dispersos a ponto dele mesmo ficar só, e assim ficaria se o Pai não estivesse com ele. "Tenho vos dito isso para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (16: 33).
Na visão do capítulo 17 Jesus é o Intercessor. Na sua oração ele declara que os seus não são do mundo, "assim como eu não sou do mundo". Ele estava para voltar para o Pai, intercedeu: "Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Eles não são do mundo, como eu do mundo não sou". Por isso mesmo ele suplica: "santifica-os na verdade: a tua palavra é a verdade" (v. 17).

Jesus é o nosso Sumo-Sacerdote. Por curiosidade, esta é a oração de Jesus ao Pai. Compare-a com a oração-modelo que ele ensinou aos discípulos. (Mat. 6: 9 -13; Luc. 11:2-7).

Depois de anunciar sua ida, Jesus lhes deu um "novo mandamento", que "amassem uns aos outros". O discipulado é testado não pela profissão de fé; nem pela citação da palavra; nem pêlos hinos e corinhos que canta com emoção; nem pela observância de qualquer ritual, mas pelo fato de amar uns aos outros. Este testemunho constitui a medida pela qual o mundo crê neles e no Senhor deles -Jesus. Este é o teste final do discipulado. Este "novo mandamento'' foi formulado em Jo. 13: 34 é de novo ordenado em Jo. 15: 12: "O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros assim como eu vos amei". É isto que caracteriza os seguidores de Cristo. É mais fácil para o evangelizado crer em Jesus, quando é persuadido pelo exercício da fé dos discípulos.

Pr. José Alves da Silva Bittencourt