ARREPENDIMENTO - I o outro lado humano da salvação |
Sabemos que a salvação não se faz unilateralmente. Na sua base está o Criador e sustentador de todas as coisas. Deus fez o homem à sua imagem e semelhança; logo, não podemos olvidar os poderes da criatura humana; seria absurdo esquecer o livre-arbítrio. Sabendo-se que a salvação do homem foi realizada em santo amor, não há qualquer tipo de imposição, a ser exercida. Devido à desobediência, o ser humano tornou-se condenado perante a justiça Divina, conforme a palavra do profeta Ezequiel: "A alma que pecar esta morrerá" (Ez. 18: 20). O apóstolo Paulo é categórico ao afirmar: "Todos pecaram e necessitados estão da glória de Deus" (Rom. 3: 23). A resolução do problema acontece com a aceitação do plano de Deus para a justificação. O apóstolo João, no seu evangelho, deixa claro seu propósito da salvação nestes termos: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo. 3: 16). É fácil compreender que o homem tem necessidade da justiça de Deus, e não deve ficar insistindo na justiça dos seus próprios méritos de "boas obras" ou de raça. Em síntese, humilhar-se e receber a obra redentora de Jesus Cristo por sua morte em lugar do pecador é o que se pode chamar de arrependimento, a mudança radical da mente. O arrependimento é para com Deus. No Antigo Testamento sob as ordenanças da Lei nos sacrifícios a pessoa confessava seus pecados, oferecia um sacrifício e então, muitas vezes voltava a repetir a prática dos mesmos pecados. No Novo Testamento, o arrependimento evangélico é mudança de mente que resulta na rejeição da prática do pecado e volta para Deus. Em Atos dos Apóstolos 20: 21, temos esta exposição: "Testificando tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo". Noutra parte encontramos a expressão: "arrependimento para a vida", desde que a nova mente não é meramente deixar o mal, mas obter a vida que é fundamentada em Cristo. E isto tem um sentido universal, porque é para toda é qualquer pessoa em todo o tempo, em qualquer lugar e de qualquer procedência racial ou mesmo religiosa, visto que "todos pecaram". Foi assim que os judeus mais aferrados às práticas da Lei concluíram: "E ouvindo estas coisas, apaziguaram-se, e glorificam a Deus, dizendo: Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida" (At. 11: 18). O apóstolo Paulo escreve assim: "Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende" (II Cor. 7: 10). Infere-se daí que uma atitude para com o pecado foi mudada; a volta para a iniquidade é descartada, sabendo-se que o arrependimento para a vida é escudado na fé na obra redentora de Jesus Cristo. |
Pr. José Alves da Silva Bittencourt |