O SOFRIMENTO CRISTÃO - V - último da série

         Na introdução a este estudo citamos o apóstolo Paulo em sua epístola aos Filipenses, dizendo: "A vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele". Quer dizer que a salvação não descarta o sofrimento, significando que, além do sofrimento humano, é-nos acrescentado o sofrimento, resultante do testemunho da fé.

          Este testemunho implica uma conduta de imitação de Cristo, de defesa do evangelho, do inconformismo com o mundo alienado de Deus o que nos faz cidadãos deste mundo e cidadãos do Reino de Deus. De fato, não podemos, por natureza, conformarmos com este mundo. Vivemos no mundo, mas não somos deste mundo. Habitamos o mundo de César, mas proclamamos o senhorio de Cristo. O genuíno cristão vive em constante conflito, especialmente, sendo que não se pode agradar a dois senhores. Enfrentamos o sofrimento de vermos pessoas resistindo ao evangelho, sabendo que isso é indício de perdição.

           Apesar das adversidades, precisamos estar firmes nunca abandonando a luta pela fé do evangelho de Cristo. Temos de ser mansos, calmos e corajosos, esperando sem ansiedade no poder e providências de Deus. É preciso esperar com paciência no Senhor. Nessas situações percebemos que não somos de nós mesmos; há sempre restrição numa entrega pessoal, por maior compreensão uns dos outros, exercendo obediência, fidelidade, humildade, para a manutenção da harmonia e da unidade, do povo de Deus. Tais coisas envolvem restrições várias. A liberdade pessoal fica posta a serviço de toda uma comunidade. Como cooperadores de Deus provocamos a animosidade do mundo contra nós, trazendo-nos sofrimentos.

           Além dessa introdução, consideramos o modo como vem o sofrimento; comentamos a razão da vinda do sofrimento; apreciamos o propósito do sofrimento, e agora desejamos abordar a nossa resposta ao sofrimento, através de diversas atitudes desta maneira:

1.   Podemos desprezar o sofrimento, preferindo a rebeldia à submissão. Esta atitude é pura e simples obstinação.

2.    Podemos desmaiar debaixo do sofrimento. Contudo não temos necessidade de chegarmos a este ponto, porquanto o Senhor conforta a Paulo em resposta à sua súplica: "A minha graça te basta". Possuímos a graça que nos faz poderosos para suportar os espinhos, a tentação e os sofrimentos que o mundo nos impõe.

3.   Podemos andar submissos e suportar todos esses impactos. Esta é a forma mais simples de vitória em meio ao sofrimento das provações.

4.   Com alegria, felicidade e ações de graças podemos permitir tudo isto pela vontade de Deus, o que significa abraçar a vontade de Deus e com paciência orar pelo progresso na vida cristã. Esta é a forma mais elevada de vitória a ser colimada.

          Em resumo, podemos dizer que se eu ficar firme no centro da vontade de Deus, então todas essas coisas na realidade vêm a mim: enfermidades, sofrimentos, provações, dor, falta de entendimento, inveja, negação, perda, trevas, etc. e se tudo isso está sujeito à permissão de Deus, contamos com sua misericórdia e, estamos certos de que é para o nosso bem.

          Consolemo-nos com estas palavras do Mestre Divino: "No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16: 33).

Pr. José Alves da Silva Bittencourt