Panorama dos Evangelhos
Marcos XI

Agora entramos na consideração dos fatos acontecidos na última semana de Jesus. Marcos narra esses acontecimentos nos capítulos 11: 1 a 16:20.

O conteúdo destes capítulos onze a doze pode ser assim indicado: A entrada real (11:1-11). A maldição da figueira e a purificação do Templo (11:12-26). Perguntas e respostas no Templo (11: 27 - 12: 44). Questões sobre autoridade (11:27-33). Parábola do agricultor iníquo (12:1-12). Questão sobre o tributo a César (12:13-17). Questão sobre a ressurreição (12:18-27). Questão a respeito do Primeiro Mandamento (12:28-34). A questão de Jesus sobre o Filho de Davi (12:35-37). A advertência de Jesus contra os Escribas (12:38-40). A lista encerra com as significativas migalhas da viúva pobre (12: 41 - 44).

Os eventos de Marcos 11:1-11 têm início com a entrada real de Jesus em Jerusalém. Esta entrada na capital de sua nação aconteceu no primeiro dia da semana antes da Páscoa. Com isto cumpriu-se a profecia do Velho Testamento. Estava cavalgando um jumentinho, animal de carga e não um fogoso cavalo adestrado para a guerra. Entrava o Príncipe da Paz! Havia grande alegria nos corações e cantavam: "Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor".-"Bendito o reino de nosso pai Davi, que vem em nome do Senhor; Hosana nas alturas!"

Marcos cita dois incidentes: (1) A maldição da figueira (11:12-14) e (2) a purificação do templo (11:15-17). Ambos são lições de falta de mérito do valor real que a pompa e a religiosidade vestiam de orgulho a oração judaica envolvida na prática das suas tradições, o que indicava o vazio da sua profissão de fé. Muita aparência de ser uma nação frutuosa, mas despida de fidelidade ao seu Senhor e Rei.

No capítulo 11:27 a 12:44 Marcos recorda as várias questões com as quais os líderes judeus tentavam desacreditar a Jesus perante o povo.

Os sacerdotes, escribas, Fariseus e Saduceus eram ferrenhos opositores de Jesus. Esses líderes queriam saber da origem da autoridade de Jesus. A resposta seria dada se eles respondessem se o batismo de João era do céu ou dos homens. Estavam num dilema e seriam acusados por qualquer uma de duas respostas que dessem. Então disseram que não sabiam.

A parábola da vinha arrendada (12:1-12) é uma revisão do fracasso da história de Israel em que perderam confiança. É inconfundível a significação da parábola. Os Judeus sabiam e os Fariseus entendiam que falava e aplicava seus ensinamentos a eles, de modo que queriam prender Jesus (v.12).

Os inimigos Fariseus e Herodianos se uniram para criarem um problema legal para Jesus ao perguntarem: "É lícito pagar tributo a César?" Mais uma vez a sabedoria de Jesus suplantou a sagacidade deles com a resposta: "Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" (v. 17). Uma boa base para o principio de separação da igreja e o estado.

Em seguida, os Saduceus que não criam na ressurreição (vs. 18-27), querendo provar sua teoria, queriam saber sobre uma mulher que se casou com sete homens, por força da lei, qual dos sete maridos a possuiria na eternidade. Jesus responde: Errais não sabendo as Escrituras nem o poder de Deus, pois no céu não há casamento nem se dão em casamento. Concluiu dizendo que Deus não é de mortos, mas de vivos (v. 27).

A questão sobre qual é o primeiro mandamento (vs. 28-34) impressionou o escriba (v.32). Depois disso, foi a vez de Jesus perguntar para ensinar aos líderes que o Cristo não era filho de Davi (v. 35) e contou com a boa vontade da multidão. Os escribas julgavam que o Messias seria um rei do povo judeu aqui na terra. Era uma interpretação equivocada do Salmo 110:1. Jesus não podia ser Filho de Davi e, ao mesmo tempo, seu Senhor.

Jesus criticou os escribas (vs. 38-40). A ignorância deles era inexplicável e sua conduta irresponsável. Ao comentar a oferta da viúva pobre (vs. 41-44) Jesus mostra que o método de Deus computar valores é diferente dos homens que consideram o quanto é dado, ao passo que Deus considera o que é deixado.

Em Resumo: Jesus agiu com autoridade Divina e grande poder, pois era Filho de Deus. Purificou o seu próprio Templo."Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente". Deus mede nosso serviço por nossa fidelidade, nossas habilidades e recursos. A indisposição de se submeter à autoridade de Cristo leva a pessoa a fugir da evidência da sua realidade.

 

Pr. José Alves da Silva Bittencourt