Aos Hebreus - VI

Conforme ternos visto, o capítulo onze deste livro exalta a fé daqueles que viveram no temor do Senhor. Resulta deste entendimento que há somente uma espécie de ser humano no mundo com excelente possibilidade de agradar a Deus. São as pessoas que têm posto em Deus sua confiança. O amparo desta idéia alinha-se com esta conclusão do escritor em 11:6, que diz: "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus ; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam".

O que fazemos para Deus não é a coisa mais importante, mas aquilo que Deus faz por nós. É isto que enriquece a nossa vida com poder e força. O nosso Deus de quem dependemos é maior que a nossa fé, por maior que ela seja. Ninguém deve se orgulhar da dúvida, apesar dela assinalar o momento próprio de se assegurar da verdade acerca dos fatos de Deus, de Cristo e da Salvação.

A fé verdadeira tem seu legítimo alvo. Assim, devemos crer no que Deus diz, e confiarmos nele. Então, o problema não é crer, mas em quem cremos. A crença que é mera convicção intelectual, nunca resulta na salvação da alma. Saber não é ação. A verdadeira crença significa uma entrega de todo o ser a Cristo; esta atitude na vida é que traz salvação, pois envolve uma decisão verdadeira. Para ser salvo, basta firmar-se na obra redentora de Cristo.

No ensino do capítulo doze podemos assegurar que há uma meta na carreira cristã. Nosso alvo é Cristo, a mente de Cristo, a presença de Cristo, a semelhança de Cristo, e a imitação de Cristo. Devemos sempre estar atentos para saber no que progredimos na carreira, cada dia.

A grande inspiração, a motivação é a "grande nuvem de testemunhas que nos rodeia". Há pecado e embaraços mil, mas com paciência devemos prosseguir sem perder a visão da carreira que "nos foi proposta". Quanto ao pecado, sabemos que o sangue de Cristo nos purifica de todo o pecado. Todo o ornamento daquele que corre, se lhe for embaraçoso, deve ser descartado, sem perder a direção certa, para o alvo supremo - Cristo Jesus.

Cada crente precisa ter firme persistência como meio para garantir a vitória. Hypomonê é o termo no original, que significa a paciência que domina com inteligência, amor e esperança a todos os obstáculos da carreira. Só o triunfo interessa ao atleta cristão. Nosso exemplo é Jesus mesmo. Não há exemplo com mais poderoso estímulo, mediante esta promessa: "Eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos".

O embaraço maior é o combate contra o pecado, a que devemos resistir firmes, mesmo "até ao sangue". Não é uma norma fácil, mas podemos enfraquecer, perdendo o ânimo.

Se falharmos, seremos disciplinados; Deus corrige a quem ele ama. É triste receber correção, mas ela conduz ao aprimoramento da vida cristã, evitando o fracasso. O crente então não deve receber o castigo como um fim de carreira; pelo contrário, mas uma correção de rumo para o alvo certo justo e bom. A disciplina Divina tem sua fonte no amor - "Deus é amor". Tal correção está ordenada para o bem dos seus filhos. "E, na verdade, toda correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela" (v. 11).

O Senhor que nos' disciplina traz para as nossas vidas fruto pacífico de justiça. É algo que vem gradualmente, superando o mal, e purificando o coração e a mente. É um fruto perfeito pela superação das lutas e fadigas dos tempos de provação contra o reino do pecado. Logo cedo isto produz uma paz interior, esta paz traz a ordem, o equilíbrio, a harmonia para os nossos sentimentos e prática. Esta paz o mundo não pode dar; vem de Deus, por isso que ultrapassa a todo entendimento.

Há que resistir firmemente toda tendência de relaxamento, cultivando a unidade, a pureza e a constante vigilância.

Pr. José Alves da Silva Bittencourt