Confissão de Natal

Senhor, tão absorvida estive em cuidar daqueles que me entregaste,

que me esqueci de preparar o Teu presente de aniversário.

Agora aqui estou, de mãos vazias,

calosidades e manchas indeléveis algumas.

O sofrimento dos que colocaste em meu caminho

atingiram-me, marcaram-me, fizeram-me sofrer.

Dei-lhes meu tempo, minha força,

meus bens e meu amor.

Mas, agora, Senhor, quando o mundo

Te vê pequeno e dependente no presépio de Belém,

sinto-me corno no tempo de criança

quando papai e mamãe faziam anos: triste e alegre.

Alegre por ser um dia de festa,

triste porque nada possuía além de algumas moedas de metal

no pequeno cofre de madeira,

 e, então, eu não podia transformar em algo concreto o meu amor.

 

E agora, no Teu dia, Senhor, nem mesmo resta o velho cofre.

Apenas esta vontade de Te agradar,

de dizer Te amo, de pedir perdão pelas mãos vazias.

 Se ao menos pudesse trazer-te todos os sorrisos que vi nascer;

todas as lágrimas que desapareceram de rostos cansados

porque ouviram falar de Ti,

todas as flores que recebi

porque estava executando uma ordem Tua...

Mas, não.

Estas pequenas preciosidades

transformaram-se em saudades e gratidão.

E sentimentos não podem ser trazidos em caixa de presente,

amarrada com cordões coloridos.

Por isso é que, no Teu dia de festa,

duas mãos cansadas se erguem para pedir

que as encha de novas bênçãos e que lhes dês novas oportunidades

de servir, pois que, nada tendo para oferecer-Te,

quero sair outra vez proclamando Teu poder e Tua bondade.

Quero ser aquela que leva o recado, que executa tarefas humildes,

que procura retribuir com trabalho servil

a bênção de ser admitida entre aqueles que servem a um Deus.