O DIA DO SENHOR - I

Pretendemos com este título, tratar do dia de descanso cristão e não do sábado do Antigo Testamento. Em relação ao trabalho ambos os dias guardam o mesmo princípio - um em sete de trabalho - o sétimo é para cessar do trabalho secular, devendo ser dedicado ao serviço do Senhor.

No fim do primeiro século o dia do Senhor já estava santificado pelo povo de Deus, nas igrejas locais, pois o apóstolo João se refere a esse dia como sendo um tempo do natural conhecimento de todos. Ele simplesmente diz: "Eu fui arrebatado (...) em espírito no dia do Senhor". Isto ele fez sem mais explicações. (Apoc. 1:10).

No original grego é εν τη κυριακη ημέρα que passou para o latim com a tradução: IN DOMINICA DIE, ou melhor, em nossa língua, a flor do Lácio, a tradução é dia do Senhor, bem conhecido como domingo. Normalmente temos seis dias para o nosso trabalho donde nos vem o pão nosso de cada dia. No domingo, o dia do Senhor, o propósito é dedicar o tempo em atividades que glorifiquem ao Senhor por todos os benefícios da sua graça.

É claro que não devemos forçar a guarda do domingo, mas o espírito cristão conduz a isto. No domingo - o primeiro dia da semana - o Senhor ressuscitou. Nele os discípulos provaram a alegria da vitória de Cristo sobre o pecado e a morte por nós, os crentes nele.

Então, a origem do dia do Senhor - o domingo - é um fato no Novo Testamento, mas suas raízes estão no sábado do Velho Testamento, como está escrito: "no sétimo Dia... havendo Deus acabado a sua obra, que tinha feito, descansou no sétimo dia... E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra, que Deus criara e fizera" (Gên.2: 2,3).

Os entendidos dizem que só depois de decorridos 2500 anos é que o sábado foi dado ao homem (Ex. 20: 8 - 10). De fato, segundo Êxodo 16:23 parece que fica estabelecida alguma forma de sábado para ser observado ao ser dada a lei, Ex. 20. Então, a guarda do sábado começou a partir do decálogo. Começou com a idéia de descanso, sem sacrifícios e culto. Animais de carga e escravos e as pessoas todas descansavam. O sábado no Velho Testamento foi dado a Israel como um sinal do pacto. É assim que lemos em Ex. 31:13. "Certamente guardareis meus sábados e portanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifica". E mais: "Será um sinal entre mim para sempre e os filhos de Israel porque em seis dias o Senhor fez os céus e a terra e ao sétimo dia descansou".

Os fariseus guardavam o sábado nos dias de Jesus. Eles tinham tornado o sábado como uma manifestação externa, dura, ritualística, regido com observações estritas. Estavam mais afeitos à letra da lei, sem atentarem para o seu espírito.

No livro de Atos dos Apóstolos encontramos as igrejas guardando o primeiro dia da semana em vez da guarda do sétimo dia como um dia de culto e boas obras.

É notável que as várias aparições de Jesus aos discípulos desde a ressurreição até a ascensão, sempre no primeiro dia da semana, levaram as igrejas não só guardarem este dia, para o culto, ao mesmo tempo que se referiam a ele como o dia do Senhor. Foi o que fez o apóstolo João em Apõe. 1:10: "Fui arrebatado em espírito no dia do Senhor".

Pr. José Alves da Silva Bittencourt