Sucessores de Pedro Cometeram Pecados (Estado de Minas, 13/04/05) |
CIDADE DO VATICANO - Guerreiros, ambiciosos, polígamos, infiéis, mafiosos e conspiradores: como o resto dos mortais, os papas do passado sucumbiram às tentações da carne e suas vidas não recordam em nada a imagem da santidade que se tenta dar aos pontífices de hoje. Às vésperas de os cardeais se reunirem a portas fechadas para eleger o sucessor de João Paulo II, multiplicam-se as histórias sobre os papas que subornaram, enganaram e, inclusive, mataram para ocupar o Trono de Pedro. É sabido que os papas João XIX e Alexandre VI, chamado o Papa Bórgia, pagaram uma fortuna por sua nomeação. Mais astuto, Sixto V fingiu estar doente para que os cardeais, que desejavam um pontificado curto, o elegessem Papa no final do século XVI, cargo no qual se manteve durante anos com um vigor inusitado. Lenda ou realidade, essas histórias mostram que a figura do Papa foi se forjando com a passagem dos séculos exclusivamente pela mão do homem, já que, na Bíblia, não existe qualquer referência sobre a forma com que os pontífices devem ser eleitos ou a vida exemplar que deveriam levar. O próprio Pedro, escolhido por Jesus Cristo na suposta tarefa de "edificar a Igreja", era um pescador, um homem simples que deixou tudo para seguir seu Mestre, mas que teve, ao que parece, ao menos uma filha. A partir daí, as histórias ganham contornos bem menos honrados. Alexandre VI envenenava sistematicamente os cardeais, teve nove filhos ilegítimos e, inclusive, cometeu incesto com sua filha Lucrecia. Adriano II foi nomeado Papa pesar de ser casado e ter uma filha. Ambas foram posteriormente decapitadas. Estevão VI, Papa de 896 a 897, fez com que um de seus predecessores, Formoso, fosse exumado para julgá-lo post-mortem, mutilar seu cadáver e jogá-lo no rio Tiber. Benedito IX conseguiu ser eleito Papa três vezes, a primeira em 1032 e com apenas 12 anos. A lenda conta também que uma mulher ocupou o Trono de Pedro no século X. Trata-se da papisa Joana, que se fez passar por homem e foi eleita como João VIM. Segundo alguns, morreu dando à luz, em meio a uma procissão em que a multidão a apedrejou, revoltada com a mentira. Durante a Idade Média, quase nenhum Papa teve morte natural e a maioria sucumbiu em guerras, envenenados, mortos de fome na prisão, queimados vivos, apunhalados ou apedrejados. Outros tiveram mortes mais curiosas e terrivelmente banais: Benedito XI morreu em 1304 comendo figos que lhe foram presenteados e Paulo II, em 1471, por uma indigestão causada por melões. |