Arrefecimento Espiritual II

Numa definição simples, podemos dizer que arrefecimento é um esfriamento explicitado nesta indignação do Senhor contra Salomão, assim: "Pelo que o Senhor se indignou contra Salomão, porquanto desviara o seu coração do Senhor Deus de Israel", (l Reis 11:9). Sem medo de errar, entendemos que arrefecimento é crescimento de desinteresse espiritual, deixando o primeiro amor. O Senhor percebe e reclama nestes termos: "Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor" (Apoc. 2: 4).

Outro modo de ver o arrefecimento espiritual é uma volta da simplicidade do evangelho, inclinando-se para a salvação pelas obras da Lei. Escreve o apóstolo Paulo: "Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela Lei: da graça tende caído" (Gal. 5: 4). O arrefecimento espiritual é caracterizado como o pecado que separa o crente do interesse da prestação de serviço ao Senhor. "As vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós para que vos não ouça" (Is. 59: 2). Geralmente falando, trata-se do crescimento do esfriamento e relaxamento do interesse no Senhor, na leitura e meditação na Bíblia, a Palavra de Deus, a descrença no exercício da oração, no desinteresse pela frequência às reuniões da igreja; no descuido pelo testemunho da fé; e acomodação ao espírito mundano paulatinamente.

Por esta maneira de pensar o arrefecimento espiritual não passa de uma gradual apostasia. Ninguém se esfria de repente. É verdade que podemos estar escandalizados pela súbita manifestação de terrível pecado. No entanto é verdade que muitas pequenas coisas têm entrado, minado e subvertido a vida. Um bom exemplo é a história do afastamento de Ló a ponto de descer na escala espiritual sete degraus, a saber:

1. Cobiça, conforme registra a Escritura: "E levantou Ló os seus olhos, e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada,... e era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, quando se entra em Zoar" (Gen. 13:10).Aí parece que os olhos constituem a primeira parte do homem a desprezar o Salvador. Eles vêem alguma coisa mais atrativa, como se deu com Eva, no Éden. Muitas pessoas têm feito o erro de fixar seus olhos sobre o objeto errado.

2. Escolhendo baixo demais - Ló escolheu a planície em vez da montanha (Gen. 11). Mas em Gên. 19:17 aparece esta advertência: "Escapa-te por tua vida; não olhes para trás de ti, e não pares em toda esta campina; escapa lá para o monte". Importa elevar a visão para um alvo mais digno e elevado. Conserva o olhar para o Salvador, conforme aponta Heb. 12: 1,2: "Corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé" (Heb. 12: 1, 2).

3. Compromisso com Infiéis - "Ló armou suas tendas até Sodoma" (Gen. 12: 12, 13). Ló se envolveu com pecadores perversos. A Bíblia exorta: "Foge, também dos desejos da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, com os que com um coração puro invocam ao Senhor" (II Tim. 2: 22).

No próximo artigo voltaremos a considerar sobre mais quatro degraus da queda do crente, sabendo que pode servir de alerta contra a derrota espiritual. O certo é ajuntar-nos aos fiéis, para sermos seus imitadores; Paulo escreve: "Admoesto-vos portanto a que sejais meus imitadores" (l Cor. 4: 16), e acrescenta: "como eu sou de Cristo" (l Cor. 11: 1). No livro de Hebreus o Espírito diz: "Para que vos não façais negligentes, mas sejais imitadores dos que pela fé e paciência herdam as promessas" (Heb. 6: 12)

Pr. José Alves da Silva Bittencourt