CONSAGRAÇÃO - II |
Para uma reflexão sobre a consagração a Deus a exortação do apóstolo Paulo aos Romanos 12: 1 é muito atrativa. Julgando assim, achei por bem demorar-me um pouco mais na apreciação dos seus termos. A primeira coisa que podemos ver na exortação textual é um apelo à consagração na frase: “Pela misericórdia de Deus”. Não são admoestados a vir pela força ou autoritariamente, mas por consideração à compaixão que Deus teve e tem de todos nós a partir do envio do seu Filho bendito para ser sacrificado em nosso lugar. Deste modo, nossa consagração é promovida ou motivada pelo que temos, proveniente do amor e misericórdia de Deus. Com um pequeno esforço de memória podemos apreciar o modo pelo qual Deus tem mostrado sua misericórdia para conosco: Somos justificados; isto quer dizer não há mais condenação para nós; o inferno não constitui uma preocupação a nos tirar a paz. Somos identificados com Deus pois Ele nos regenerou pelo poder e ação do Seu Espírito. Nesta identificação somos filhos; somos cooperadores de Deus; temos comunhão com Deus Sua compaixão por nós é demonstrada na santificação com que somos separados para o seu serviço, glória e honra, para o seu louvor. Por sua misericórdia fomos feitos morada de Deus pelo Espírito Santo além da Sua promessa do céu depois da morte física. É ainda por sua misericórdia que temos saúde, amigos e organização própria para o desenvolvimento e gozo da fraternidade e o crescimento do esforço para expansão do Reino de Deus. Além disso como dom de Deus, temos a igreja local e agência do seu Reino. Isto é só um pouco da história da sua compaixão sobre nós, porque, como diz o poeta, não poderíamos contar de uma só vez suas bênçãos e se tentássemos ficaríamos surpresos por percebermos o quanto Deus já fez por nós. O texto de Paulo fala-nos do ato da consagração, que é algo que pertence a nós; sentimos isto, quando o apóstolo escreve: “Que apresenteis os vossos corpos”. A voluntariedade é destacada. Paulo faz uma súplica, apela, faz um convite ingente; é como se fizéssemos uma oferenda a Deus. Mas não somos forçados a fazê-lo. É algo pessoal como está escrito: “os vossos corpos”- Isto significa nossas vidas, tudo o que temos. Trata-se de um sacrifício: “Um sacrifício vivo”. Nesta figura como se puzéssemos nossa vida sobre o altar, como Abraão ofereceu Isaque. Esta apresentação de nós mesmos a Deus certamente alegrará o coração do nosso Pai do céu. Nosso pai terreno se sentiria ferido se o filho mesmo relutantemente, se afastasse dele, conforme fez o filho pródigo. O filho aceita a proteção do pai, alimentação e vestimenta, mas o pai também deseja a amizade sua intimidade e confiança filial. Entendemos que este ato de consagração é uma atitude de adoração. “E disse Abraão...eu e o moço iremos até ali; e havendo adoração, tornaremos a vós” (Gen. 22: 5). Abraão consagrara seu único filho a Deus. Com a idéia da perpetuidade dos pais nos filhos, ensinada no Velho Testamento, Abraão consagrava a Deus aquilo que era de maior significação na sua vida. De fato a consagração mostra que Deus merece e quer a entrega do nosso ser e do nosso ter a Ele. O versículo de Romanos 12: 1 é muito rico de instrução no campo da consagração. Voltaremos a ele, no próximo artigo. |
Pr. José Alves da Silva Bittencourt |