Panorama dos Evangelhos VIII
MARCOS

O caminho da cruz ocupa os capítulos de 7:24 a 10:52. Mas ao considerarmos Marcos 7:24 - 8:38 percebemos que a cruz de Jesus é, de fato nossa. Jesus proclamou sua própria cruz e chamou outros para segui-lo neste caminho.

Até este tempo Jesus tinha limitado seu ministério à Palestina. Procurou escapar dos seus oponentes; então foi para Tiro e Sidom. Ali também, no entanto, não achou o descanso, pois "não pode esconder-se" (7:24).

Ao aproximar-se dali uma mulher o abordou para que expulsasse o espírito imundo de sua filha (vs. 25-30). A mulher era Sirofenícia. Ele curou sua filha que não estava ali e que nem era judia; com isso demonstrou que as bênçãos de Deus eram também para os gentios.

Depois Jesus voltou para a Galileia onde curou um surdo-mudo, mas encarregou o povo de não propagar este feito. (vs. 31-37).

Em Marcos 8: 1-9 está narrado o milagre da multiplicação de sete pães e alguns peixinhos, e alimentou quatro mil que o seguiam há três dias. Jesus teve compaixão da multidão. Como Deus que era, Jesus podia transformar as pedras em pães, mas ele quer a colaboração do homem. O apóstolo Paulo diz que nós somos cooperadores de Deus. Este é o segundo milagre de multiplicação de alimentos narrado por Marcos 6:32 - 44 quando o Senhor usou "cinco pães e dois peixinhos"com os quais alimentou cinco mil homens. (6:44). Ambas as exposições são diferentes. As circunstâncias eram similares, mas os lugares são diferentes.

Os Fariseus pediam sinal (vs. 11-13). Eles não viam nos milagres que presenciavam o sinal da divindade de Jesus. Eram persistentes, mas seu motivo era a incredulidade, e assim tentavam Jesus.

Jesus alertou seus discípulos sobre o fermento dos Fariseus (8:14-21). Os discípulos, contudo, não entenderam a referência de Jesus ao fermento e imaginavam que ele falasse a respeito de pão (vs. 15-16). Com o emprego da palavra "fermento", o Mestre queria significar as doutrinas dos Fariseus.

Alguns amigos conduziram um cego a Jesus (vs. 22-26). Há um detalhe apreciável aqui nesta cura; é que Jesus usou de uma operação gradual para efetuar a cura, de modo que o homem pudesse perceber a atuação do poder de Jesus em livrá-lo da cegueira, e com que cuidado o fazia. Isto criou nele a expectativa de disposição para crer em sua palavra e lhe obedecesse, enquanto a visão lhe era restaurada.

A confissão de Pedro é posta neste capítulo. Com isto o Mestre media sua crescente popularidade. Não era nada mau, pois era tido como João Batista, Elias, um dos profetas (v. 29). Mas o maior grau de compreensão e convicção dos apóstolos foi expresso por Pedro, respondendo pelo grupo: "Tu és o Cristo", Isto era profundo demais para ser espalhado, sem escandalizar os Mestres em Israel.

O Senhor prediz sua cruz (vs. 31-33), o que foi estranho para Pedro que, certamente, concebia o Messias coroado e entronizado, mas sem cruz.

O restante de Marcos 8 é dado para a chamada à cruz (vs. 34-38). Este texto dá ênfase ao maior desafio e dramático caminho do valor da alma humana no plano da salvação. O que acabamos de comentar sugere esta reflexão:

A verdade a cerca de Deus em Cristo vem pela revelação de Deus - O raciocínio humano, somente, nunca chega á conclusão que Jesus é Deus.
A missão de Jesus requeria sua cruz - Ele tinha que morrer por nossos pecados. O

justo pelo pecador.Cada seguidor de Jesus tem sua própria cruz a levar. Mas isto implica dizer "não" a si mesmo, significando crucificar o velho homem e seguir a Jesus.

Tomar sua cruz e seguir a Jesus requer uma decisão definida. Que Jesus não se envergonhe de nós, quando vier na glória de seu Pai com os seus santos anjos.

 
Pr. José Alves da Silva Bittencourt