A Infalibilidade do Papa

Este é um dos mais recentes dogmas promulgados pela Igreja Católica Romana. O Concílio Vaticano de 1870 em um artigo de fé definiu a Infalibilidade Papal no pontificado de Pio IX, em 18 de julho de 1870.

Infalibilidade Papal é assim definida: Quando o Papa em sua capacidade oficial, com a plenitude de sua autoridade, como sucessor de São Pedro e cabeça da Igreja na terra, proclama uma doutrina de fé ou obrigações morais da Igreja Católica, ele é pré-isento de erro. Para isto são requeridas três condições: (1) O Papa deve falar EX CATHEDRA, isto é, da Cadeira de Pedro, na sua função oficial; (2) a decisão deve ser uma obrigação em toda a Igreja; (3) deve ser matéria de fé e moral.

Falando sobre o Concílio Vaticano, A.H. Newman diz: Seu principal alvo era colocar o Papa acima dos Concílios e dar-lhe o indisputado direito de decidir todas as questões que podiam levantar sem o consentimento da assembléia representativamente em concílios gerais (Manual de História Eclesiástica, Vol. II, p. 518).

Estava assim estabelecida a absoluta monarquia Papal e derrotada a Supremacia de um Concílio Geral tão importante no século quinze.

Os batistas se opõem à Infalibilidade Papal pelas seguintes razões:

Cristo, e não Pedro é a pedra fundamental da sua Igreja (Mat. 16: 18 e 19; l Cor. 3: 11; 10:4; l Ped 2: 4).

Sabemos que Cristo nunca deu aPedro supremacia sobre os apóstolos (Mat. 23: 8-12). Pedro nunca assumiu uma supremacia sobre os apóstolos. (Mat. 23: 8 - 12). Jamais ele se chamou Supremo Pontífice ou Bispo Universal (l Ped. 1:1; 5: 1 - 3; II Ped. 1: 1). O apóstolo nunca reivindicou ser infalível. Os apóstolos jamais reconheceram Pedro como Papa ou como pessoa infalível. Paulo em qualquer de suas treze epístolas mencionou Pedro como sendo Bispo de Roma, ou como estando em Roma, ou ainda como sendo infalível. Paulo considerou a si mesmo igual a Pedro e os outros apóstolos. (II Cor. 11: 5). É notável que os demais apóstolos enviaram Pedro e João em missão a Samaria. (At. 8:14). Não foi Pedro que presidiu o Concílio de Jerusalém, foi Tiago, e quem deu a palavra final do evento (At. 8:15)Pedro recusou o gesto reverente de Cornélio (At. 10: 25 e 26). Isto não parece ser o procedimento de um Papa "Infalível". Nada há no Novo Testamento que indique o ensino da sucessão apostólica, mas sabemos que o último dos apóstolos foi o apóstolo João, cerca do ano 100 A.D. É fácil então de entender que somente Cristo é infalível, e que o único Vigário de Cristo na terra é o Espírito Santo, o outro Parácleto. (João 14:10; 16:7-10,13).

O Espírito Santo é o único inspirador e intérprete das Escrituras. (II Ped. 1: 21; II Tim. 3: 16,17). Deus nunca designou a Igreja Católica, o Papa, nem Concílios como guardiões da fé. Até porque estes não existiam senão depois de diversos séculos de completado o Novo Testamento. A infalibilidade Papal é um dogma do Concílio Vaticano de 1870. A História Eclesiástica mostra que a maior parte das interpretações de Concílios têm sido o desprezo às Escrituras; entre eles a declaração da Infalibilidade Papal. Os chamados "Pais" da Igreja tais como Clemente, Inácio, Irineu, Tertuliano, Hipólito e Orígenes em lugar nenhum de seus escritos nem mesmo insinuaram a Infalibilidade Papal. Tanto a história como o senso comum jogam por terra o ensino da Infalibilidade, e podemos concluir, sem medo de contradição o seguinte: é uma infalível certeza que o Papa é falível e nada há de novo nisto.

Desta maneira, converteu-se o domínio da ortodoxia católica num lugar de opróbrio, cativeiro (...) e o ultramontanismo entregou o espírito individual dos crentes, o espírito coletivo da comunidade fiel, opressos, estrangulados, asfixiados à tirania irrestringível de uma criatura humana endeusada (Ruy Barbosa. O Papa e o Concílio. 2a ed., pg. 114).

A maior prova de falibilidade é proclamar-se infalível.

Pr. José Alves da Silva Bittencourt