A SALVAÇÃO UMA SANTIFICAÇÃO - VI |
Uma boa coisa a ser indagada é sobre a razão da nossa santificação. Sabemos que o nosso Deus é santo, ou melhor, santíssimo. A nossa reconciliação com ele demanda nossa purificação, sem o que não alcançaremos a comunhão com Deus. Aprendemos pela Palavra de Deus que a nossa santificação depende da nossa apropriação da obra redentora de Cristo. Isto se faz pela fé, porque” sem fé é impossível agradar a Deus”, e é o sangue de Jesus, o Filho de Deus, que nos purifica de todo o pecado. Temos no evangelho de João a seguinte declaração de Jesus: “Por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade” (Jo. 17: 19). Se voltarmos a Ezequiel, verificaremos que fica estabelecida a justiça de Deus relativamente ao pecado do homem nestes termos: “A alma que pecar esta morrerá” (Ez. 18: 20). Ora, Paulo diz que “todos pecaram”. Então foi necessário que Deus, no seu infinito amor, enviasse seu Filho ao mundo, como Cordeiro para tirar o pecado do mundo alienado de Deus. Foi necessário que a segunda pessoa da Trindade se entregasse por completo à obra da Redenção. Ele se santificou a si mesmo, e para a sua realização “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” – tornou-se homem sem perder sua divindade. Agora, veja só, se Cristo necessitou de se santificar, então, cada um precisa de ser santificado também, crendo no sacrifício de Cristo em seu lugar. Aí a santificação significa dedicação plena ao plano da salvação, com tudo o que era necessário para a sua realização. Quando lemos Jesus dizendo: “Me santifiquei a mim mesmo”, mostra que ele o fez por vontade própria; de fato foi assim, sendo ele Divino nenhum poder estaria acima dele para o persuadir a tomar esta ou aquela decisão. Conclui-se com facilidade que o plano da salvação é obra da Trindade. Poderíamos indagar: então o Santo Filho de Deus tornou-se mais santo? Isto é impossível, contudo é evidente que o Filho de Deus se dedicou especialmente à realização do plano de Salvação, de modo a satisfazer a justiça de Deus. E isto se deu plenamente com seu sacrifício vicário. O apóstolo Paulo escreve aos Romanos: “Porque também Cristo não agradou a si mesmo, mas como está escrito: Sobre mim caíram as injúrias dos que te injuriaram” (Rom. 18: 3). O dever de cada um é crescer cada vez mais na santificação, assim como antes cresciam na prática do mal, conforme observa Paulo: “Pois que, assim como apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia, e à maldade para maldade, assim apresentai, agora, os vossos membros para servirem à justiça, para a santificação” (Rom. 6: 19). É assim que nos tornamos cada vez mais semelhantes a Cristo, conforme avançamos no exercício correto da fé no curso da vida cristã, sob a direção do Espírito santificador.Sejamos santos como é santo o nosso Pai que está no céu. |
Pr. José Alves da Silva Bittencourt |