Homem e mulher Ele os criou (Gn.1:27), nasceu a primeira sociedade familiar, primeira célula fundamental da sociedade. Por que razão antigamente a sociedade era mais forte, mais coesa, mais feliz? Precisamente porque a família possuía características de unidade familiar, segundo os preceitos da lei de Deus. E esses preceitos eram respeitados.
Hoje, com a modernidade, já não são inteiramente admitidos e nem respeitados. Exemplo frisante encontramos em profusão em certos meios de comunicação social, mormente televisivos, que penetram em nossos lares a qualquer hora do dia ou da noite, com seus programas deletérios e atentatórios aos princípios da ética e da moral cristã. Os bons costumes, os deveres entre pais e filhos, do casal entre si, o respeito ao matrimônio, a fidelidade, o amor, a dignidade como criaturas de Deus, são espezinhados com a clara intenção de enfraquecer a estabilidade da família como instituição.
Desse fato decorrem o crescente número de separação, do desmantelamento dos lares, dos graves problemas de formação moral e até psicológica, que são transmitidos às maiores vítimas, que são os filhos.
Não existe outro caminho se pretendermos melhorar a sociedade. Só a família cristã, consciente de seu papel importantíssimo de célula mater, será capaz de mudar o indesejável ambiente pelo egoísmo humano, pela mentalidade de consumismo exagerado, pelo hedonismo insaciável, pelo comodismo deletério e irresponsável.
A raiz dos múltiplos males da sociedade moderna encontra-se aí. Melhorar a sociedade é aperfeiçoar os mecanismos da família, a fim de torná-la mais estável, mais unida, mais forte, exemplo de amor e de dignidade. O futuro da humanidade passa, indiscutivelmente, pela família bem constituída. Para que isto aconteça, mister se faz levar muito a sério essa grave questão que envolve os maiores valores da sociedade. A começar pela preparação do matrimônio. Pela adoção do espírito cristão de renúncia e sacrifício. Pela total doação e disponibilidade. Pela fidelidade conjugal. Pelo amor e respeito entre o casal.
A família onde se vive, se anuncia e se celebra a Palavra de Deus, sem o qual nenhum esforço prospera e valeria a pena. A grandeza de Deus compensa a pequenez do homem, razão pela qual Dele não pode prescindir.
Só na família o homem se realiza nas suas necessidades cotidianas, material e espiritualmente. Realiza-se na família, quando esta é sinônimo de estabilidade e segurança, de paz e respeito, como a família de Nazaré. Estabilidade e segurança para resistir às investidas das sistemáticas campanhas da mídia impressa, de imagem e de som, com o claro objetivo de enfraquecer sua estrutura, denegri-la, destruí-la.
Paz e respeito, onde possa se instalar, fortalecer e aprimorar o amor entre os esposos e os filhos e estes entre si, a fim de criar um ambiente propício ao florescimento das virtudes tão escassas na convivência de uma vida digna e feliz.
Só na família, a família cristã, onde as virtudes são cultivadas, encontramos a base sólida, os alicerces, a pedra angular para construir a felicidade terrena. Não há outro caminho viável a ser adotado. Se o mundo hodierno, pervertido pela licenciosidade que envenena o corpo e corrói a alma, mergulhado nas falsas teorias de falaciosas promessas, que o conduzem ao abismo da descrença e do desespero, não mudar de rumo, certamente lhe faltará à luz indispensável para atingir seus mais nobres objetivos: a felicidade nesta e na vida eterna que o aguarda. Até lá, oremos pela família, pois ela merece todo amor e respeito.
Pr. Agrido do Vale (Artigo extraído da Visão Missionária 2°. Trimestre/1997) |