A CEIA DO SENHOR - III

O Apóstolo Paulo, maior intérprete do cristianismo, ensina que esta ordenança tem a igreja local por guardiã, conforme sua declaração em l Cor. 11: 23: "Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei". E o mesmo Apóstolo passa a instruir sua celebração.

Em primeiro lugar Jesus tomou o pão, e, em ponto nenhum do texto diz que tenha se transformado no corpo real de Cristo; o pão da ordenança foi dado primeiro, com esta indicação clara: "Isto representa o meu corpo que é partido por vós".

Depois do pão, ele disse do cálice: "Este cálice representa o Novo Testamento, no meu sangue". Jesus orou com ações de graças, antes de repartir o pão, e, semelhantemente antes da entrega do cálice. Tudo isso se deu após a ceia pascal. Conforme observamos, ele usou os elementos da páscoa para a instituição da Ceia memorial do cristianismo. O texto diz: "Depois de cear" (l Cor. 11: 25).

É bom lembrar aqui que, por ocasião do segundo templo, terminado o cativeiro babilônico, a celebração da páscoa judaica foi restaurada, juntamente com outras antigas celebrações. (Esd. 6: 19 - 22). Por esse tempo os elementos da páscoa eram: pão sem fermento, vinho, verduras amargas e o cordeiro pascal, o que nos faz lembrar que a primeira Ceia do Senhor não foi precedida de jejum, pois tinham os discípulos participado da refeição pascal e comido um cordeiro inteiro com verdura, pão e vinho!

A páscoa era a ordenança do Senhor que lembrava a saída do povo de Israel do Egito, e "nenhum filho de estrangeiro comerá dela". (Ex. 12: 24 -26 e 42, 43).

Nosso interesse neste artigo é considerar o propósito da celebração da ordenança da Ceia do Senhor. O certo é que não há comunhão para receber perdão de pecados. Não há poder em seus elementos para dar perdão aos participantes.

Participamos na sua celebração em obediência ao mandamento de Jesus Cristo, que diz: "Tomai e comei, isto representa o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim"; (l Cor. 11: 24). A indicação de ser um memorial é também dito a respeito do cálice (v. 25).

Tomamos parte da Ceia do Senhor, proclamando a morte do Senhor, na expectativa da sua segunda vinda. (V. 26). Isto quer dizer que cremos que o Senhor Jesus Cristo vive agora.

Ninguém toma parte da Ceia como demonstração da sua própria dignidade. É pela graça do Senhor que fomos regenerados e entramos para a família de Deus. Não é o orgulho, mas o amor que nos motiva para tomar assento à mesa do Senhor. Nossa participação indica nossa indignidade e nossa confiança, pois para isso Cristo tomou o nosso lugar na morte. Se somos verdadeiros filhos de Deus vivemos ousadamente para confraternização e força na unidade do corpo eclesiástico.

Ele nos manda e não devemos negar-lhe o prazer da nossa participação. Não há maior propósito do que o de obedecer-lhe o mandamento do memorial da sua morte vicária e do anúncio da sua volta. Não haveria propósitos mais dignos e elevados do que estes, por isso que devemos manter a regularidade desta celebração. Disse regularidade, como faz a nossa igreja cada mês.

Pr. José Alves da Silva Bittencourt