Há tempo para tudo |
Há tempo para nascer e tempo para deixar de viver. Há tempo para começar e tempo para terminar o que se iniciou. Há tempo para se ouvir a chamada para o ministério e há tempo para encerrar a carreira ministerial. Neste tempo de desempenho da carreira ministerial fui até professor de chamados para o ministério, na Faculdade Teológica Batista Mineira, o nosso Seminário Teológico. Deu-me muito trabalho porque como disse Eça de Queiroz: "para ensinar, há uma formalidadezinha a cumprir: saber". "Não vou dizer: naquelas priscas eras, mas simplesmente naquele tempo, por falta dos doutores valia-se do "notável saber". A necessidade era muita e urgente. Alguém que tivesse alguma luz de saber teológico não podia se esquivar, porque "há ocasiões em que o silêncio é ouro, mas há outras em que é pura covardia" (pensamento de John Blanchard). Neste campo demos o nosso máximo e não há motivo para arrependimento. "A vida é mais simples do que a gente pensa; basta aceitar o impossível, dispensar o indispensável e suportar o intolerável", no entendimento de Kathleen Noris. Dediquei-me ao ministério da Palavra. Por fim, vim a ser pastor da Igreja Batista Memorial. Entrei na reta final. Fiz tudo para me dar bem no desempenho da gloriosa, mas árdua tarefa; por isso que nunca deixei de comunicar à Igreja Memorial todo o conselho de Deus. Em todo o tempo, portei-me como um cão de guarda. Com fidelidade preguei o evangelho e defendi a fé, de que não me envergonho. Fui chamado para o ministério, e a ele me dediquei de corpo e alma, no temor do Senhor. Sempre fui muito tímido, mas contei com uma igreja dócil, e amorosa, com auxiliares experientes e determinados em fazer o melhor, além da esposa que Deus me deu também muito dedicada à causa do Senhor. Sempre procurei manter um espírito democrático, agindo com respeito e mansidão, mas sempre desempenhando a tarefa que pela graça que me foi dada, com honestidade, muita convicção e fidelidade. Estou certo de que Deus me chamou para amar o povo do modo como o pastor deve realmente portar-se diante do seu rebanho. Fui chamado para acertar, para unir e não para espalhar. O rebanho é do Senhor e não meu. Os crentes que dirigi são meus irmãos e irmãs. Sempre tive o cuidado de pensar que Cristo morreu por todos e cada um é digno de toda distinção; desde o menor até o maior. Procurei ser claro na entrega da mensagem. Trabalhava para que o poder da mensagem estivesse na boa interpretação da Palavra de Deus. A mensagem deve ser proveitosa e criteriosa, pois entendo que o púlpito não é escudo e nem trincheira de defesa pessoal. Então o pregador precisa ser fiel ao seu Senhor no serviço que presta ao legitimo Israel. Em suma, penso que o pregador precisa ser verdadeiramente crente e evangélico. A Palavra de Deus ensina que Deus deu uns para profetas outros para evangelistas, pastores e doutores; contudo, a imperfeição é própria dos homens; ainda que se considere a pessoa chamada, o conhecimento, o estilo, o assunto, a voz e a atitude. Sem dúvida essa imperfeição está por todo o tempo em quem serve ao Senhor, como algo que lhe devesse ser próprio, não o sendo. O certo é que não andei divulgando e servindo a meras ideias filosóficas, questões duvidosas, e nem questões políticas, mas me dediquei àquilo que servia à expansão do Reino de Deus no homem e fora dele, no mundo em geral. Pela graça de Deus fiz o que fiz. Assim posso humildemente como Paulo dizer: "Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé". A premiação corre por conta da misericórdia do Senhor, de maneira que creio que "a coroa da justiça me está reservada" (II Tim. 4.8). Mas há tempo para começar uma carreira e tempo para encerrar a carreira, e este é o meu tempo: encerrei à carreira, mas guardo a fé. De fato, há tempo para tudo, mas a glória dos acertos pertence ao Senhor. Glória, pois, a ele eternamente! |
Pr. José Alves da Silva Bittencourt |