Panorama dos Evangelhos- IV MARCOS |
A leitura dos capítulos 2:1-3:6 conduz o leitor às primeiras controvérsias no ministério de Jesus. Nestes capítulos Jesus mostra que tem o direito ao exercício da autoridade divina para perdoar e auxiliar a pessoa que o busca mesmo que isto provoque conflito com os escribas e fariseus. Marcos 2:1 - 3:6 relata as controvérsias com os Escribas e Fariseus. A verdadeira natureza do caso gera um conflito inevitável. Os Fariseus estavam solidamente entrincheirados em sua religião cerimonial. Por outro lado Jesus, por palavras e feitos, era um desafio a todas as coisas em que os Fariseus se firmavam. Assim, ambas as posições eram incompatíveis. Marcos relaciona a continua controvérsia com quatro problemas aos quais os Fariseus zelosamente se opunham. O primeiro conflito se deu por ocasião da cura que o Senhor operou no paralítico, revelando seu poder de perdoar pecados. (Mc. 2:1-12). Quatro homens levaram um paralítico a Jesus. As palavras de Jesus: "Filho, perdoados estão os teus pecados", levou os escribas a acusar Jesus de blasfêmia, com esta argumentação: "Quem pode perdoar pecados, senão Deus?" (vs. 5-7). Ato contínuo, Jesus demonstra seu poder e autoridade, curando o paralítico: "Para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados, disse ao paralítico: "Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa" (v. 11). Os que observavam o paralítico sair curado em presença de todos, "admiraram-se e glorificaram a Deus" (v. 12). Outra controvérsia se levantou por causa da associação de Jesus com pecadores na casa de Levi. (Mc. 2:3 - 17). O grau de ódio e animosidade dos judeus por um judeu publicano - um cobrador de rendimentos públicos, entre os antigos romanos. Os judeus consideravam os publicanos traidores e apóstatas, porque cobravam os impostos para a nação que os oprimia. Neste banquete Jesus se associou aos publicanos e pecadores. Ao perceber a irritação dos escribas, o Senhor declara: "Os sãos não necessitam de médico, mas sim, os que estão doentes, eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores" (v. 17). A prática do jejum (vs. 18-21), causou a terceira controvérsia. Os discípulos de João e os fariseus jejuavam e os discípulos de Jesus não. Ele disse-lhes que os filhos das bodas não jejuavam enquanto o esposo estava com eles. É bom lembrar que o Senhor prometeu estar conosco, os crentes, todos os dias, até a consumação dos séculos. E mais: é bom não nos esquecermos que cristianismo não é Judaísmo reformado. Os discípulos de Jesus não jejuavam. Em quarto lugar temos uma amarga controvérsia. Trata-se do problema com relação à guarda do sábado. (2:23-3:6) a observância do sábado era considerada um absoluto dever para todo o bom judeu. Os discípulos de Jesus colhiam espigas no sábado (2.23-28) e a cura de um homem com a mão mirrada suscitaram o conflito (3:1-6). Jesus jamais cometeu uma violência à Lei. "O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. O Filho do homem até do sábado é Senhor" (2:25 e 26). No texto que acabamos de apreciar aprendemos que Jesus é Filho de Deus e somente ele pode perdoar pecados. Somente Jesus está qualificado por Deus para perdoar os pecados. E quem tem este poder é também senhor do sábado. Os Fariseus insistiam que guardar a lei era essencial. Sabemos, contudo, que "mais importa obedecer a Deus do que aos homens" (At. 5: 29). As leis de Deus são projetadas para o bem estar do homem. A cura do doente era mais importante do que as tradições. As necessidades do homem moveram o Senhor mais do que as tradições. É importante observar, que Jesus jamais violou as leis de Deus. A simpatia para com as necessidades físicas e espirituais do homem eram maiores do que a sensibilidade para com as regras da religião Judaica. |
Pr. José Alves da Silva Bittencourt |