Todos sabemos que devemos ter comunhão com Deus, e isto é resultado da prática da nossa fé em Jesus Cristo. Tendo sido batizados por Cristo no Espírito Santo, este operou em nós a regeneração. Isto é tão importante, significativo e essencial que o próprio Salvador declarou a Nicodemos: "Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (João 3: 3).
O que nos interessa saber mesmo é por que devemos ter comunhão com os outros. De início podemos dizer que ela expressa que somos irmãos, que pertencemos à família de Deus; assim a manifestação desta comunhão nos faz gostar de estar juntos congregados para o serviço de louvor e adoração a Deus, na casa do Senhor. Já o salmista cantava: "Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união" (Sal. 133: 1). Neste sentido é notável o que diz o escritor aos Hebreus; ele escreve "exortando": "Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns" (Heb. 10:25). Este ajuntamento num determinado lugar onde todos podem exercer a comunhão é um procedimento ordenado por Deus para a humanidade. Ao criar o homem, Deus mandou que ele trabalhasse por seis dias, mas descansasse do seu trabalho no sétimo dia, quando todos deviam, ajuntar-se realizando a comunhão com Deus pelo culto e com o próximo no mesmo propósito de prestar culto ao Criador e sustentador de todas as coisas.
Deus reconheceu este princípio na criação pois ele disse: "Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora". (Gen. 2: 18). Sendo o homem um ser essencialmente social, é na comunhão que ele se realiza. Já fora criado à imagem e semelhança de Deus. Assim, primeiramente, sua comunhão, necessariamente é com Deus. Pela criação da mulher o Criador proporcionou ao homem a mais rica oportunidade de exercer comunhão com o próximo. A mulher esposa é o próximo mais próximo do homem. Tudo o que a natureza de Adão demandava para sua perfeição como criatura, física, intelectual, e socialmente, foi incluído no seu alter ego que foi logo colocado ao seu lado. A unidade do homem e da mulher é mantida pela busca da comunhão, formando um lar, o que se verificou desde o início da sociedade humana.
A sociedade humana é proveniente de alguma força motivadora, mais elevada do que a simples posição meramente terrena. Há na vida do lar o poder da comunhão, a comunhão mútua de esposo e esposa, e os demais membros da família; estes formam uma unidade que deve servir de parâmetro para as nações como grandes sociedades.
A comunhão do povo de Deus, na casa de Deus, pode e deve ser, em princípio, uma força de grande influência na sociedade em geral.
Jesus alertou para o prejuízo da divisão pela falta de comunhão, quando disse: "Todo reino, dividido contra si mesmo, será assolado; e a casa, dividida contra si mesma cairá". (Luc. 11:17).
A leitura do capítulo 17 de João destaca a unidade essencial do Pai e de Seu Filho unigénito proveniente de uma íntima comunhão de amor. Sua oração é para que semelhante comunhão de amor os conserve numa santa unidade indestrutível. "Que o amor com que tens amado esteja neles, e eu neles esteja" (Jo.17:26)."Que eles sejam um assim como nós" (João 17:11).
O princípio do poder da comunhão ainda que na sua expressão mínima foi reconhecido por Jesus, quando ele enviou seus discípulos "dois a dois" (Marcos 6: 7). A união faz a força.
É verdade que alguns cristãos têm desenvolvido sua maturidade em isolamento, em prisões; contudo são exceções à regra. Não há regra sem exceção.
Pr. José Alves da Silva Bittencourt