A Confissão Auricular

Na epístola de Tiago temos esta exortação com relação à confissão, dizendo: "Confessai as vossas culpas uns aos outros, orai uns pelos outros" (Tiago 5: 16). É notável observar que ele não mandou confessar os pecados ao sacerdote.

Podemos começar, dizendo que a confissão auricular é totalmente sem o respaldo da autoridade da Escritura, e nada mais é do que uma invenção do pensamento do homem.

A confissão auricular é uma prática distintamente pagã em sua origem; próprio da religião de Zoroastro, na Pérsia; e de Buda na índia. Os antigos babilônios e egípcios adotavam esta prática, bem como os mexicanos antes de Cortez. Algumas reputadas autoridades testificam que sacerdotes de Baco, deus do vinho, são mencionados em relação à confissão auricular.

Inocêncio III em 1215 d.C. declarou ser a confissão auricular um artigo de fé. Tem sido contudo, um instrumento da mais odiosa espionagem e desvio moral com desastrosas conseqüências, não só do perdão, mas também da prática e indução ao pecado.

Tal uso da confissão auricular como instrumento de opressão, sem qualidade redentiva devia ser banida do mundo nominalmente cristão. É, sem dúvida uma prática contrária à Escritura Sagrada, contra a moral e uma negação da santidade, portanto, contra a santificação de vida ensinada pelo Cristianismo.

Os batistas têm objeção no seu ensino e prática a tal método religioso em suas igrejas, como fiéis à Palavra de Deus que são.

Porque Deus nunca deu a qualquer homem ou grupo humano o poder para perdoar pecados na confissão auricular. Trata-se de uma superstição medieval definida como dogma em 1215 d.C.

Porque o sacerdote usurpa o lugar de Cristo como o único Mediador entre Deus e os homens. O apóstolo Paulo escreve a Timóteo, em sua primeira epístola: "Há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem" (l Timóteo 2: 5).

Havia um Sumo-Sacerdote na terra de Israel durante os dias de Davi, no entanto o Salmista confessou seus pecados a Deus. (SI. 32:5; 51:4, 139:23-24).

Ezequias e seu povo confessaram seus pecados a Deus e não a um sacerdote judeu. De modo que ninguém devia confessar pecado a um sacerdote, porque não pecou contra o sacerdote. Em princípio o pecado é contra Deus e a ele o pecador deve ir para ser perdoado; só Deus perdoa pecados. É uma arrogância um homem dizer a alguém: "Eu te absolvo". Além de arrogância é uma usurpação do poder de Deus. O conhecimento que Deus tem do pecador é o suficiente para saber se o pecador suplicante é sincero ou não. Só a ele devemos confessar os nossos pecados. Jesus é o nosso Mediador único.

Ainda que o sacerdote judaico estivesse perto, o Publicano no templo dirigiu-se diretamente a Deus pelo perdão (Luc. 18: 13-14).

Ainda é justo lembrar que nem Cristo nem os apóstolos instituíram a confissão auricular, nunca exerceram sua prática e nunca ensinaram que seus discípulos deviam observá-la.

Não aceitamos a confissão auricular porque Jesus Cristo é o nosso grande Sumo Sacerdote e Perfeito Salvador, o único que pode dizer: "Teus pecados te são perdoados" ( Lucas 7: 48).

A confissão de pecado perante o homem é uma ameaça à honestidade, à moralidade e à integridade. É uma absoluta impossibilidade para um indivíduo pecador perdoar outro igualmente pecador. De fato uma corrente de água não pode ir mais alto que sua fonte.

Por todos esses raciocínios fica claro que a confissão auricular não passa de uma invenção humana, por isso que seu ensino e prática não configuram o verdadeiro cristianismo.

Pr. José Alves da Silva Bittencourt