Concessão e Resistência

Jesus, na sua oração sacerdotal, antes de voltar aos céus, ora pedindo ao Pai que protegesse seus discípulos com estas palavras; "Eu rogo por eles. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, pois são teus... Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno" (Jo.17.9,15). A razão para tal pedido é que o "mundo jaz no maligno" (I Jo 5.19) e, embora vivamos nele, somos cidadãos de outra pátria, a celestial.

Somos chamados do mundo para vivermos os valores que transcendem este tempo vivido. Valores que estão contradição aos valores deste século. Através de nossas vidas instala-se a sociedade cristã neste mundo, exigindo que ela não tenha compromisso com ele. Contudo, a ética cristã não permite o ascetismo de fuga. Pelo contrario, somos instados a resistir a influencia dos valores desse tempo e transmitir, por meio de nosso comportamento (testemunho) e pregação, os princípios da fé cristã, pois a verdadeira essência do cristianismo situa-se na tensão que propõe ou cria entre os mundos da natureza e do Espírito, e a única forma de sairmos vitoriosos nesta batalha é vivermos pela fé e dependência de nosso Senhor.

Por esta razão, precisamos discernir o momento de resistência dos momentos de concessão. Até que ponto nosso envolvimento e nossas ações testificam nossa fé ou a compromete? Como ceder sem ferir a essência do cristianismo? Como manter-se sintonizado no tempo sem perdera dimensão da eternidade?

Estas questões delimitam a fronteira entre a santidade ou não. Sendo assim, devemos nos voltar para o nosso manual - A Bíblia. Nela encontraremos os rumos certos e os princípios que devem nortear nossa conduta.

1. Princípio da Fé (Rom.14.22-23) - O crente deve ter fé, ou seja, convicção diante de Deus quanto ao que faz ou deixa de fazer. Se tiver dúvidas não deve fazer, pois "tudo o que não é de fé é pecado".

2. Princípio da Licitude e do controle (I Cor.6.12) - Diz respeito à liberdade do crente e sua capacidade de estar no controle da situação. Suas ações devem ser o resultado de suas convicções fundamentadas na palavra.

3. Princípio da Conveniência (I Cor.6.12) - O crente não deve fazer as coisas simplesmente porque são lícitas, mas porquê lhe convém à luz da Bíblia. É lícito faltar no culto? Sim. Mas convém? A conveniência trata das virtudes, valores e responsabilidades cristãs.

4. Princípio da Edificação (I Cor. 10.23) - Não basta ser lícita, é necessário que a conduta do crente produza fruto e seja proveitosa para sua edificação g espiritual.

5. Princípio da Glorificação (I Cor.10.31) - Este é um princípio elevadíssimo. O que o crente faz deve ser feito "como ao Senhor e não aos homens" (Cl 3.23), isto é, tudo deve ser feito para glória de Deus. Nosso corpo é um tempo ( I Cor.3.16). Nossa vida deve ser um culto (Rom. 12.1).

6. Princípio da Consideração e Respeito ao outro (I Cor.8.9-13 e Rom.15.l) - Trata dos nossos relacionamentos. Aqui o fundamento é o amor e não a liberdade cristã. A Bíblia ensina que não devemos escandalizar um irmão mais fraco, mesmo que tenhamos consciência do que estamos fazendo não é errado.

7. Princípios da Tolerância (Rom. 14.3-12) - Devemos respeitar as divergentes opiniões; quem adota algum costume não julgue o que não o pratica; quem não adota não despreze ou desmereça a devoção de seu irmão, reconhecendo que as pessoas estão em diferentes níveis do desenvolvimento moral e espiritual.

Sendo assim, que cada um busque exercitar os princípios acima e, certamente, Deus será glorificado e todos edificados na hora de decidir se devemos resistir ou ceder.

 

Pr. Wagno Alves Bragança