O JEJUM E BÍBLICO?
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No Velho Testamento a prática do jejum era usada pelo indivíduo e pela própria nação. O indivíduo jejuava nos tempos de opressão e de ansiedade, como aconteceu com Davi (II Sam. 12.16-23; l Reis 21.27-29). Davi jejuou para ver se o Senhor se compadeceria dele, deixando viver a criança. Morta a criança, não haveria mais por quem se sacrificar e demonstrar humildade em jejuns e choro. Acabe, além de rasgar seus vestidos, cobriu-se com sacos e andava sem ânimo. No Salmo 69.10 está escrito: "Chorei, e castiguei com jejum a minha alma, mas isto se me tornou em afrontas". A nação praticava o jejum em tempos de perigos iminentes, de guerras, de pragas. "Então todos os filhos de Israel... vieram a Betel e choraram, estiveram ali perante o Senhor, e jejuaram naquele dia até a tarde, e ofereceram holocaustos e ofertas perante o Senhor". Entre os judeus o jejum era praticado também no rito da expiação (Neem. 9.1). O que se percebe é que nos dias de Neemias o jejum e a oração andavam juntos: "...e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus" (Neem. 1.4). A duração do jejum podia ir da manhã até a tarde, conforme Juizes 20.26; l Sam. 14.34. Um jejum da duração de três dias é mencionado no livro de Ester (Ester 4.16). Mas na lei de Israel o jejum deveria ser praticado no dia da expiação "como estatuto perpétuo" para as suas gerações e em todas as suas habitações. (Lev. 16.29-31; 23.27- 32; Num. 29.7). O jejum era pratica em épocas determinadas: "Assim diz o Senhor dos Exércitos: O jejum do quarto mês, e o jejum do quinto, e o jejum do sétimo, e o jejum do décimo mês será para a casa de Judá, gozo, e alegria, e festividades solenes; amais, pois, a verdade e a paz" (Zac. 8.19). Olhando para Zacarias 7.3 temos esta escritura: "Chorarei eu no quinto mês, separando-me, como tenho feito por tantos anos?" O choro é o complemento do jejum (Juiz. 20.26. Neem. 1.4; Joel 2.12). Esta festa no quinto mês, havia sido estabelecida em memória da destruição de Jerusalém por Nabucodonozor (II Reis 25.8,9; Jer. 52.12,13). O único dia de jejum festejado pela Lei de Moisés era o grande Dia da Expiação, no dia dez do sétimo mês, Ethanim (Lev. 23.26-32) Contudo, os judeus acrescentavam outros jejuns em memória de certos eventos nacionais (Juizes 20.26; l Sam. 7.6, Is. 58.3). Em Zacarias 8.19 é feita menção a quatro extraordinários jejuns instituídos e observados durante o cativeiro, a saber: No quinto dia do quarto mês, em memória da captura de Jerusalém pêlos Caldeus; no quinto mês, na lembrança da queima do templo e cidade; no sétimo mês, em consequência do assassinato de Gedalias (Jer. 41.1,2), aquele que "o rei de Babilônia havia posto sobre a terra". E o jejum do décimo mês, em memória do começo do cerco de Jerusalém por Nabucodonozor. Com o passar do tempo, o significado de humilhar-se na prática do jejum se perdeu para Israel. A luta profética contra este esvaziamento pelo seu mais profundo significado ficou sem o resultado que se esperava. "Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor, e quando oferecerem holocaustos e ofertas de manjares, não me agradarei deles; antes eu os consumirei pela espada e pela fome e pela peste" (Jer. 14.12). Na leitura do Novo Testamento, no original, o verbo é νηστεύω (nesteú), eu jejuo. Este verbo ocorre vinte vezes nos evangelhos sinópticos, assim distribuídos: oito vezes em Mateus, seis vezes em Marcos, e quatro em Lucas. Aparece duas vezes em Atos. A palavra jejum, νηστείαν (nesteián) é usada em Atos 27.9. A frequência desta palavra no Novo Testamento é assim: Quatro vezes ao todo, sendo uma vez em Lucas, duas vezes em Atos e duas vezes em Paulo. (II Cor. 6.5; 11.27). Aqui a soma dá cinco vezes porque incluímos o dativo plural νηστείαις (nesteiáis) em Lucas 2.37. |
Pr. José Alves da Silva Bittencourt |